Ministra destaca centralidade do ECA na proteção dos direitos de crianças e adolescentes no programa Sem Censura

(Foto: Raul Lansky/MDHC)

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A ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Macaé Evaristo, participou, nesta quarta-feira (30), do Sem Censura, na TV Brasil. Cissa Guimarães, apresentadora do programa, conversou com a titular do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que celebra 35 anos em 2025.

Ao longo do debate, a titular do MDHC frisou que um dos principais desafios do Brasil neste momento é garantir a efetividade dos direitos de crianças e adolescentes no ambiente virtual. O avanço na regulamentação e na responsabilização das plataformas digitais por crimes contra as infâncias e adolescências praticados online foi a saída apontada pela ministra para enfrentar violações dessa natureza.

Macaé Evaristo salientou que, sem essa responsabilização, como acontece atualmente, a veiculação de conteúdo criminoso torna-se fonte de renda. “O ódio hoje é monetizado. É muito triste. O ódio está produzindo lucro. Tem pessoas que estão ganhando muito dinheiro, desenvolvendo uma cultura de ódio na internet. Infelizmente, o ódio monetiza mais do que o afeto e do que a amorosidade. Crime contra criança e adolescente, crime de ódio, cultura de ódio não é liberdade de expressão”, defendeu.

Estatuto da Criança e do Adolescente

(Foto: Raul Lansky/MDHC)
(Foto: Raul Lansky/MDHC)

A titular do MDHC lembrou que, antes da instituição do ECA, poucas crianças e adolescentes brasileiros acessavam a escola e tinham alimentação adequada. “O ECA trouxe para nós um outro paradigma para pensar a proteção integral à infância, para dizer que é responsabilidade de toda a sociedade, e que nós precisamos ter política pública. A escola pública é a que garante a educação para a maioria das pessoas no nosso país”, enfatizou.

Ao destacar a escolarização como um direito previsto no estatuto, a ministra manifestou preocupação diante de grupos contrários à educação no ambiente escolar. “Educação no ambiente doméstico não é escolarização. Muita gente pensa que frequentar a escola é apenas para aprender língua portuguesa e matemática, mas não é só isso. A escola também é espaço de interação, disciplina e construção da sociabilidade, porque a gente vive em comunidade. Então, na escola a gente constrói também um ideal de bem comum, de respeito às diferenças e empatia”, defendeu.

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Macaé Evaristo também lembrou que as mortes de crianças e adolescentes por doenças evitáveis, como o sarampo e a poliomielite, também eram comuns antes da instituição ECA, por conta da baixa vacinação. Cenário que o Governo Federal tenta impedir, diante do avanço de discursos antivacina. “A imunização é um direito da criança. Isso está garantido. Não existe isso de abrir mão”, reforçou.

No programa, a ministra também apresentou a recém-lançada versão do estatuto traduzido para a língua indígena Ticuna, elaborada com o objetivo de facilitar o acesso de populações indígenas a informações sobre suas prerrogativas.

Ações do MDHC

(Foto: Raul Lansky/MDHC)
(Foto: Raul Lansky/MDHC)

Como estratégia de combate à violência digital contra crianças e adolescentes, a ministra apresentou o “Guia sobre Usos de Dispositivos Digitais”, lançado em março pelo Governo Federal. O documento, disponível online gratuitamente, traz orientações para que adultos saibam como mediar o uso de telas para os mais jovens.

“Não queremos as crianças isoladas, mas não podemos achar que por trás das telas elas estão protegidas”, afirmou Macaé Evaristo. Ela destacou que o guia traz orientações para mães, pais e responsáveis sobre o uso saudável das telas, idade adequada para crianças terem seus próprios telefones, aponta práticas que reduzem os riscos associados ao tempo excessivo de exposição das crianças e adolescentes aos dispositivos, entre outras informações.

Na oportunidade, a ministra apresentou também o programa Vidas Protegidas, lançado este ano, em Fortaleza (CE). A iniciativa visa fortalecer a atuação do Estado brasileiro contra a violência letal contra crianças e adolescentes, com mapeamento da rede de atendimento às vítimas de violência nos territórios de maior letalidade.

Questões como o direito da criança e a agenda climática também foram abordados. A titular do MDHC contou que, por sediar a Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP30), o Brasil prepara, junto ao Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda), grupos de adolescentes de todo o país que participarão do evento internacional, para debater sobre a proteção de infâncias e adolescências frente à crise climática. “Qual é o direito ao futuro que a gente tem? Qual é o futuro que a gente quer para esse planeta? As crianças têm o que dizer. Hoje a gente tem que escutar exatamente quem quer participar desse debate”, ressaltou.

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Macaé destacou ainda os esforços do ministério para implementar iniciativas de fortalecimento de todos os profissionais que atuam na proteção dos mais jovens. “Nós estamos chegando com a Escola de Conselhos em todo o Brasil, que é uma parceria com as universidades dos diferentes estados para formação de conselheiros tutelares. A gente precisa avançar mais nessa formação, porque quando a sociedade fica complexa, a atuação do conselheiro tutelar fica mais complexa”, afirmou.

O programa, que foi veiculado ao vivo, está disponível no You Tube da TV Brasil e contou com a participação da atriz Nathalia Dill, da jornalista Maria Fortuna e do debatedor Jota Marques.

Trajetória

Na bancada do Sem Censura, Macaé contou sobre sua trajetória na educação básica, na atuação comunitária e nos movimentos negros. Nascida em São Gonçalo do Pará (MG), a ministra relatou que sua mãe, viúva muito cedo, sempre priorizou a educação das filhas em casa. A ministra foi professora em escolas públicas de áreas periféricas de Belo Horizonte antes mesmo de concluir a faculdade. Cerca de dez anos depois, a ministra testemunhou a aprovação do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), principal política de defesa dos direitos das crianças e dos adolescentes brasileiros.

Ex-secretária estadual de educação de Minas Gerais, ela enalteceu o ensino público, lembrando que cerca de 80% de crianças e adolescentes no estado são atendidas por escolas estaduais e municipais. “Sem escola pública não tem educação para a população brasileira. Isso é uma tecnologia brasileira que nós construímos com muita luta”, frisou.

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Texto: R.M.

Edição: L.M.

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Fonte: Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania

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