A ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Janine Mello, prestigiou a abertura da exposição “Humanidade na Guerra” nessa terça-feira (28). Promovida pelo Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), a mostra reúne fotografias premiadas com retratos das consequências humanitárias dos conflitos armados em países como Iêmen, República Democrática do Congo, Síria, Armênia, Palestina, República Centro-Africana e partes das Américas.
A exposição estará aberta ao público no Panteão da Pátria, em Brasília (DF), até o dia 7 de junho de 2026. Em julho, será inaugurada em São Paulo (SP), onde permanecerá até o final de agosto. Para os organizadores, a expectativa é de que as obras sejam um convite à reflexão, empatia e compromisso com a construção de um mundo onde a dignidade seja sempre preservada.
Para Janine Mello, a exposição na capital do país, e sua realização no Panteão da Pátria, reforçam a importância do direito à memória e o compromisso democrático que o governo federal tem com o povo brasileiro. “É por meio da memória que reconhecemos as marcas deixadas pelos conflitos e evitamos que a indiferença se normalize. Cultivar a sensibilidade diante do sofrimento humano é também um exercício de responsabilidade democrática. Quando somos capazes de nos enxergar no outro, fortalecemos não apenas a empatia, mas também os pilares do multilateralismo e da cooperação internacional”, ressaltou.
O embaixador Carlos Cozendey, secretário de Assuntos Multilaterais Políticos do Ministério das Relações Exteriores (MRE), ressaltou que a exposição evidencia a importância do trabalho humanitário em diversos contextos de conflitos armados e crises. Ele mencionou que o Brasil é um dos países co-líderes da iniciativa global para fortalecer o compromisso político com o direito internacional humanitário, que é visto não apenas como um imperativo jurídico e ético, mas também como uma ferramenta estratégica para mitigar os efeitos dos conflitos e criar condições para a paz.
Convite à solidariedade
Pierre Krähenbühl, diretor geral do CICV, destacou que a exposição posiciona a fotografia na intersecção do registro histórico e da responsabilidade moral, resistindo à normalização da guerra e convidando à atenção pública para suas consequências humanitárias. “Nossa lente está fundamentada na humanidade. O foco está nas pessoas afetadas por conflitos armados, civis, crianças, mulheres e pessoas idosas cujas vidas diárias são moldadas pela violência prolongada”, refletiu.
A ministra Janine também afirmou que as fotos da exposição ampliam a capacidade de reconhecer a humanidade comum que sustenta a paz e dá sentido às instituições democráticas. “Essas imagens transcendem meros registros visuais. São um convite para a reflexão e para a ação; para que instituições, lideranças políticas e a sociedade como um todo reafirme, de forma clara e inequívoca, qual o projeto de humanidade que desejamos enquanto conflitos armados se intensificam, crises humanitárias se aprofundam e a linguagem da violência volta a ocupar espaços que deveriam ser do diálogo e da mediação pacífica de conflitos. Nós insistimos na promoção e na defesa dos direitos humanos”, defendeu.
De acordo com Pierre, em toda a exposição, as fotografias documentam padrões de deslocamento forçado, perda de vidas, futuros interrompidos e como efeitos do conflito se estendem além dos campos de batalha imediatos, onde as condições humanitárias continuam a se deteriorar. Ao apresentar essas imagens como evidência de testemunho, a exposição reforça o papel da fotografia na documentação de violações do direito internacional humanitário e no apoio à conscientização sobre as regras que buscam limitar os efeitos do conflito humano.
Retratos do custo da guerra
Jorge Silva, fotojornalista mexicano com 30 anos de experiência, é o curador da exposição Humanidade na Guerra. Ele, que cobriu conflitos em locais como Iraque, Afeganistão, Hong Kong, Venezuela e Myanmar, destacou a importância de mostrar essas imagens em Brasília, o coração político do Brasil, para que o público reflita sobre quem paga os custos da guerra.
Jorge defende que as imagens representadas na exposição, para além do fotojornalismo, são testemunhos de graves violações de direitos humanos e revelam que as vítimas dos conflitos são seres humanos de carne e osso. Para ele, o grande desafio da curadoria foi selecionar fotografias que tivessem um toque mais humano e criassem uma conexão com o público, mesmo que fosse difícil encontrar beleza em meio à dureza.
“É, também, uma homenagem aos fotojornalistas que arriscaram suas vidas para estar nesses lugares”, afirmou Silva, ressaltando a importância de órgãos como o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania prestigiarem a exposição para abrir discussões sobre o papel dos civis diante dos conflitos.
As 45 imagens desta exposição foram premiadas pelo Prêmio Visa d’Or Humanitário CICV nos últimos 15 anos. Esta é uma das categorias do Festival Internacional de Fotojornalismo Visa pour l’Image, realizado anualmente na França.
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Texto: R.M.
Edição: F.T.
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