Na COP30, MGI e UCL IIPP apresentam relatório internacional que propõe novas capacidades estatais para acelerar uma transição verde e justa

publicidade

A COP30 marca um ponto global de virada: não basta aprimorar a governança da transição ecológica, é preciso fortalecer quem tem a responsabilidade de torná-la realidade. Nesta sexta-feira (14/11), o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos e o Instituto de Inovação e Propósito Público (IIPP) da University College London (UCL), apresentaram o relatório “Capacidades estatais para um mundo verde e justo”, que demonstra como Estados robustos, coordenados e orientados por missões podem acelerar a transição ecológica com resultados concretos e justiça social.

Elaborado a partir de uma parceria de dois anos entre o governo brasileiro e a instituição britânica, o relatório aprofunda de que maneira ferramentas essenciais, como compras públicas, empresas estatais e infraestruturas públicas digitais, podem ser redesenhadas para ampliar impactos sociais e acelerar a transição verde. A publicação, resultado da coautoria da ministra Esther Dweck e da professora Mariana Mazzucato, foi debatido pelo secretário-adjunto do MGI, Adauto Modesto Jr., com a professora Mazzucato, especialistas e delegações internacionais na programação oficial da conferência.

O estudo reúne casos práticos e soluções escaláveis: de estratégias de compras sustentáveis para alimentação escolar a propostas para modernizar bancos de desenvolvimento e transformar empresas estatais em protagonistas da agenda climática. “O Estado necessário para a transição tem que ser um Estado que inova, que lidera transformações e não apenas reage a falhas de mercado. Tem que ser um Estado digital, que usa tecnologia e dados para ampliar o alcance e a eficiência dos serviços. Tem que ser um Estado inclusivo, sem deixar ninguém para trás. Como o presidente Lula tem dito, a emergência climática também é uma crise da desigualdade mundial”, defendeu a ministra Esther Dweck, em vídeo de saudação aos participantes do painel.

Apresentado oficialmente no coração da COP30, o documento aponta o protagonismo do Brasil na construção de soluções globais, ao mesmo tempo em que contribui para o debate internacional sobre o papel dos Estados para enfrentar a crise climática com justiça social. Durante o lançamento, o secretário-adjunto do MGI, Adauto Modesto Jr., reforçou o posicionamento da ministra. “A crise climática nos coloca diante de uma escolha histórica. Podemos continuar com incrementalismo tímido, ou podemos abraçar a transformação ousada e coordenada que o momento exige. Este relatório mostra que a segunda opção não é apenas necessária: ela é possível. Temos as ferramentas, conhecimentoexemplos inspiradores ao redor do mundo. O que precisamos agora é de vontade política sustentada e investimento em capacidades estatais. Porque, como este relatório deixa claro, investir no Estado é investir no futuro do planeta”, afirmou Modesto.

A professora Mariana Mazzucato, referência global em inovação orientada por missões e valor público, deu continuidade à reflexão de que, transformar a capacidade estatal, é um passo indispensável para enfrentar a crise climática. Ela defende que “para combater as alterações climáticas, é preciso reorientar a economia, não apenas tornar a trajetória atual mais eficiente”. Nessa reorientação, o uso das capacidades estatais em compras públicas, financiamento, empresas estatais, infraestruturas públicas digitais, são parte do que deve ser reorientado. Para a professora, o Estado não deve apenas agir para regular o mercado e reduzir os riscos para a atuação privada, mas buscar uma transformação rumo a um crescimento inclusivo e sustentável.

Leia Também:  Inscrições do edital "Vivências SAJ: Equidade e Diversidade no Jurídico" são prorrogadas

Mazzucato defendeu também colocar as Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs), ou seja, os planos climáticos nacionais apresentados pelos países na conferência em Belém, no centro da estratégia econômica e das finanças públicas, reforçando políticas industriais verdes e adotando políticas públicas de financiamento. Como exemplo, ela citou o caso brasileiro do BNDES, para que apoiem projetos com fortes efeitos multiplicadores e jamais financiem projetos poluidores. “Precisamos investir em instituições públicas, para que elas sejam capazes de elaborar, implementar e fazer cumprir políticas eficazes e mobilizar empresas, trabalhadores e comunidades”, ressaltou a professora.

Para Laura Carvalho, diretora Global de Prosperidade Econômica e Climática da Open Society  Foundations (OSF), há consenso sobre o protagonismo do Estado na transição verde. “Ninguém tem ilusão de que os problemas climáticos serão resolvidos apenas pelo setor privado. É preciso ação do Estado, todos concordam. Mas a transformação ecológica exige planejamento de longo prazo e isso demanda recuperar uma agenda de política econômica”, disse. Para ela, no entanto, os governos perderam a capacidade de pensar a longo prazo. “Para nossos países a transição climática oferece a oportunidade para retomar nossa capacidade. Mas o foco é o Estado, não os governos. Precisamos reforçar as capacidades estatais para além dos ciclos políticos”, argumentou.

Ao abordar os desafios de governança climática em contextos complexos, o diretor Nelson Barbosa, do BNDES, destacou a importância de capacidades estatais voltadas à coordenação e à construção de acordos duradouros.  “Hoje não temos falta de recursos para investimentos de transição climática, mas precisamos de mais coordenação, precisamos capacidade para construir consensos”, ponderou. Barbosa reforçou que o gargalo central não está na escassez de recursos, mas na capacidade de articulação. “Trabalhar na Amazônia é mais difícil e complexo do que trabalhar na periferia do Rio de Janeiro pela diversidade de atores envolvidos, desde as comunidades indígenas, todos os níveis de governo, atores de diferentes países. Então, a capacidade de construir consensos é muito importante”, disse. O debate contou também com a participação de Manjana Milkoreit, pesquisadora da Universidade de Oslo.

State Capacity and Capabilities for a Just Green World

Leia Também:  Ministério de Minas e Energia recebe representantes do setor mineral para diálogo e construção de diretrizes estratégicas

A obra publicada “State Capacity and Capabilities for a Just Green World” (traduzido para o português “Capacidades estatais para um mundo verde e justo”) apresenta diagnóstico e recomendações sobre como governos podem reorganizar instrumentos, capacidades e modelos de governança para responder aos desafios climáticos com mais rapidez, escala e impacto social. “Esse documento não é apenas mais uma publicação sobre mudanças climáticas, ele é um manifesto prático sobre o papel central dos Estados com uma transição mais rápida e que seria a maior transição que a humanidade precisa fazer nesse momento. Juntas, nós identificamos práticas concretas que são escaláveis de ação climática”, explicou a ministra Esther Dweck.

O documento mostra que políticas climáticas bem-sucedidas dependem de uma direção estratégica clara, alinhada a objetivos de crescimento verde e inclusivo. Para isso, defende:

  •  missões orientadas à solução de problemas, capazes de mobilizar diferentes setores e atores; 

  • o uso de ferramentas estatais modernizadas, como compras públicas, regulação, empresas estatais e infraestruturas digitais, destaques do MGI na COP30, e o

  • fortalecimento de capacidades dinâmicas, que permitam aprender, ajustar e coordenar ações em cenários de incerteza e uma governança multissetorial, articulada entre distintos níveis de governo.

O relatório reforça a necessidade de transformar o potencial da COP30 em resultados concretos. O mundo não tem tempo a perder. Apresentada pela presidência brasileira como a COP das Soluções, a conferência em Belém oferece uma oportunidade decisiva para reforçar o multilateralismo, acelerar mudanças na economia real e tornar a ação climática tangível. Este relatório responde a esse chamado ao apresentar soluções concretas e modelos de implementação capazes de fechar a lacuna entre compromisso e entrega”, cita o resumo executivo do estudo, reforçando o momento decisivo que a conferência sediada no Brasil representa para a agenda internacional.

A publicação destaca ainda que aproveitar essa oportunidade depende de como as políticas são formuladas e governadas, reforçando que mercados isoladamente não terão velocidade nem escala suficientes para garantir a transição ecológica. Por isso, de acordo com as autoras Esther Dweck e Mariana Mazzucato, investir em Estado não é custo nem entrave administrativo, mas parte essencial da política climática. Investir em capacidade estatal é, em si, investir em ação climática.

“O relatório que lançamos hoje ajudará a organizar a trajetória que propusemos para os países e que iniciamos iniciativas globais que vão se fortalecer entre a COP 30 e a COP31. Que as pessoas sintam em suas vidas cotidianas o ar mais limpo, a energia mais confiável e acessível, empregos verdes de qualidade, cidades resilientes e a floresta em pé”concluiu a ministra.

Fonte: Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos

COMENTE ABAIXO:

Compartilhe essa Notícia

publicidade

publicidade

publicidade

publicidade