“Tanto sufoco, a gente permanece aqui e se cair nós levanta. E se cair nós levanta.
Resiliência é herança para quem vive o ancestral. Então te reza e cuida dessa cabeça e essas tretas nós resolve. E essas tretas nós resolve.”
A poesia e a voz de Natielly Castro ecoaram nos salões do Palácio do Itamaraty, em Brasilia. Foi o lançamento, nesta segunda-feira (4), do Prêmio Nacional Vozes Periféricas, criado pela Secretaria-Geral da Presidência da República (SGPR), por meio da Secretaria Nacional de Juventude (SNJ) e da Secretaria Nacional de Diálogos Sociais e Articulação de Políticas Públicas.
Realizada no Palácio do Itamaraty, a cerimônia marcou a oficialização de um edital inédito voltado ao fortalecimento de coletivos culturais que atuam com batalhas de rima, slams e saraus em todo o Brasil.
Serão premiados 100 agentes culturais organizados em coletivos que tenham prestado relevante contribuição ao desenvolvimento artístico ou cultural do território nacional, realizando de forma regular batalhas de rima, slams e saraus no ano de 2025. Trata-se, portanto, de reconhecimento pela contribuição já realizada no território.
Cada premiação será de R$ 30 mil, totalizando R$ 3 milhões.
Quebrada
O ministro Guilherme Boulos, da Secretaria-Geral da Presidência da República, participou do lançamento e destacou a presença dos integrantes da cultura hip-hop no Itamaraty, um palácio destinado a abrigar embaixadores e a receber chefes de estado do mundo todo. “Hoje, a gente tá trazendo aqui, para dentro do Itamaraty, os embaixadores da periferia, os embaixadores da quebrada que levam essa voz pro nosso povo no Brasil inteiro.”
O ministro destacou ainda que o prêmio é o reconhecimento da cultura por parte do Estado brasileiro. “Mais que um prêmio, é um reconhecimento. É o Estado brasileiro reconhecendo e valorizando aquilo que vocês fazem, as batalhas, os islãs, os saraus, e dizendo que isso não pode ser criminalizado. O estado não tem que aparecer lá com o braço da polícia. O estado tem que aparecer lá com o braço do estímulo, premiando, valorizando, fortalecendo e dando melhores condições para que vocês façam o que vocês já sabem fazer melhor que ninguém”, afirmou Boulos.
O projeto é uma parceria com a Organização de Estados Ibero-americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura (OEI). O prêmio visa descentralizar o investimento público, garantindo que ao menos um coletivo seja contemplado por estado brasileiro.
Com foco na juventude e nos territórios populares, a iniciativa prevê bonificações para grupos majoritariamente compostos por pessoas negras, mulheres, indígenas, quilombolas e povos tradicionais.
Expressões
Durante o evento, o diretor e chefe da representação da OEI no Brasil, Rodrigo Rossi, reforçou que a premiação representa o reconhecimento de um compromisso com a participação social e a cultura. Segundo Rossi, o objetivo é elevar a escala dessas expressões artísticas. “Vozes aqui significa manifestação, posicionamento. E periferia aqui não é margem, é centralidade, é território. É fundamental e simbólico trazer isso para Brasília, para o Itamaraty, porque muitas vezes essas vozes foram afastadas dos centros de debate público”, afirmou.
A secretária nacional de Juventude, Vitória Genuíno, reforçou que o edital é uma resposta do governo federal ao desafio de dialogar com juventudes que produzem arte e resistência fora dos modelos tradicionais.
“Esse edital vem como uma resposta para reconhecer esses processos de organização e de resistência desses jovens que estão na periferia, colocando a importância e o tamanho da valorização que o governo federal precisa fazer”, pontuou a secretária, ressaltando que a ação visa substituir a lógica da criminalização pela oferta de políticas públicas.
O secretário adjunto de Diálogos Sociais, José Lício Júnior (Juninho), definiu o edital como um “cartão de visita” que sinaliza a conexão do Estado com quem está no território fazendo a diferença.
“Saibam que poetas e MCs são intelectuais que se expressam em rodas que são verdadeiros fóruns poéticos periféricos e ajudam a contar, através das rimas e versos, a história do nosso povo e do nosso país”, declarou Juninho. A cerimônia contou ainda com a presença da ministra da Igualdade Racial, Raquel Barros, reafirmando o caráter intersetorial da política.
As inscrições para o Prêmio Nacional Vozes Periféricas seguem abertas até o dia 18 de maio. Os coletivos interessados devem ter prestado contribuição relevante ao desenvolvimento artístico local e mantido atuação regular ao longo de 2025.
Fonte: Secretaria-Geral

























