A fotografia como ferramenta de expressão, memória e pertencimento ganha novos contornos em Rondônia com a realização da 2ª Oficina de Fotografia Amazônia em Foco. Promovida pela Escola Livre de Arte e Cultura Diversidade Amazônica, a iniciativa acontece entre maio e junho de 2026, simultaneamente em Vilhena e na comunidade quilombola de Santa Cruz, em Pimenteiras do Oeste.
Com 50 vagas gratuitas e carga horária de 20 horas, a formação combina teoria e prática para estimular um olhar sensível sobre os territórios e as culturas locais. Mais do que ensinar técnicas, a proposta aposta na fotografia como linguagem de afirmação identitária, valorização dos saberes amazônicos e fortalecimento da memória coletiva.
A continuidade da oficina nasce dos resultados da primeira edição, que evidenciaram o interesse das comunidades por formações conectadas às suas realidades. Segundo a coordenadora da escola, Andréia Machado, a iniciativa é fruto de escuta ativa e diálogo com os territórios.
Na avaliação da gestora, a formação vai além do aprendizado técnico e se consolida como ferramenta de expressão e reconhecimento cultural.
“Os principais objetivos desta edição são promover a formação artística em fotografia e estimular um olhar sensível e crítico sobre a realidade amazônica. A oficina busca valorizar a cultura local, os saberes tradicionais e o patrimônio ambiental, incentivando os participantes a registrarem, por meio da imagem, as identidades e os costumes de suas comunidades”, afirma.
Ao levar a formação para diferentes territórios, incluindo uma comunidade quilombola, o projeto amplia o acesso e reconhece esses espaços como centros legítimos de produção de conhecimento, estética e memória. Nesse contexto, a fotografia deixa de ser apenas registro e passa a ser instrumento de autoria e afirmação identitária.
Segundo Andréia Machado, esse deslocamento de perspectiva é central para o impacto da ação. “A fotografia possibilita que os participantes deixem de ser apenas objetos de registro para se tornarem autores de suas próprias narrativas visuais. Esse processo fortalece a identidade cultural, amplia a visibilidade das comunidades e contribui para a construção de narrativas mais plurais e representativas da diversidade amazônica”, destaca.
A coordenadora também ressalta que, ao fotografar seus territórios, os participantes passam a reconhecer o valor simbólico e histórico de suas vivências, fortalecendo vínculos com suas culturas e ampliando o senso de pertencimento.
A proposta dialoga diretamente com o protagonismo de crianças, adolescentes e jovens, público prioritário da oficina. De acordo com Andréia, o interesse pela fotografia está ligado ao desejo de expressão e reconhecimento, especialmente quando a formação valoriza o cotidiano como espaço legítimo de criação.
As aulas serão ministradas pelo fotógrafo Washington Kuipers, com atuação em projetos voltados às culturas quilombola e indígena. Ao final do curso, os participantes irão apresentar seus trabalhos em uma exposição fotográfica, etapa que marca a transição de aprendizes para autores e amplia a circulação das produções e das narrativas locais.
Selecionado pelo edital Escolas Livres de Formação em Arte e Cultura Programa Olhos d’Água, o projeto recebeu investimento de R$ 250 mil, posteriormente ampliado com aditivo de R$ 37,5 mil. Os recursos viabilizam a oferta gratuita das oficinas, a atuação em diferentes territórios e a estrutura necessária para as atividades formativas.
A Rede Nacional de Escolas Livres, política do Ministério da Cultura, é coordenada pela Secretaria de Formação, Livro e Leitura, que já reúne 68 organizações da sociedade civil e fortalece formações em múltiplas linguagens artísticas em todo o Brasil.
Segundo Andréia Machado, o apoio público é determinante para garantir alcance, qualidade e continuidade.
“As políticas públicas do Ministério da Cultura são estruturantes para iniciativas como essa. Elas não apenas viabilizam financeiramente os projetos, mas reconhecem a cultura como um direito e garantem que ações formativas cheguem a públicos que muitas vezes estão fora dos grandes centros”, avalia.
Na visão do diretor de Educação e Formação Artística da Secretaria de Formação, Livro e Leitura do MinC, Rafael Maximiniano, ações como essa demonstram o alcance concreto das políticas culturais nos territórios.
“Formação artística não acontece só nas grandes capitais, ela acontece em Vilhena e em Pimenteiras do Oeste, na comunidade de Santa Cruz. A Rede Nacional de Escolas Livres existe para reconhecer e fortalecer essas experiências, e essa e outras oficinas são um exemplo claro do que essa política pública significa no cotidiano dos territórios.”
Com cerca de 300 alunos já formados ao longo de sua trajetória, a Escola Livre Diversidade Amazônica reafirma, com a nova edição da oficina, seu compromisso com a democratização do acesso à cultura, o fortalecimento comunitário e a valorização das identidades amazônicas.
As inscrições estão abertas e podem ser realizadas por interessados em iniciar ou aprofundar sua relação com a fotografia como linguagem artística e instrumento de transformação social.
SERVIÇO
2ª Oficina de Fotografia Amazônia em Foco
Inscrições abertas
Vagas gratuitas
Mais informações pelo telefone (69) 98119-1055
Fonte: Ministério da Cultura
























