O Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) promoveu, nesta quarta-feira (17/6), durante o Encontro Nacional de Gestão de Pessoas (ENGP) 2026, um painel sobre as inovações e aplicações do Dimensionamento da Força de Trabalho (DFT). Essa metodologia de coleta de dados, desenvolvida pela pasta em parceria com a Universidade de Brasília (UnB), revela ao gestor os principais gargalos e demandas reprimidas de seu órgão, além de informações sobre a necessidade de preenchimento de lacunas de competências para a execução de políticas públicas.
A coordenadora-geral de Planejamento da Força de Trabalho do MGI, Lorena Ferreira, destacou que o DFT é parte de uma gestão integrada do ciclo laboral no setor público, que se inicia com o planejamento da força de trabalho e acompanha todas as fases da trajetória do servidor, desde sua ambientação até a aposentadoria.
Ela afirmou que em 2025, após a análise dos estudos de DFT, foi possível identificar uma demanda por profissionais de atuação em atividades administrativas em todos os órgãos pesquisados, em quantitativos variados. Essa avaliação embasou a decisão de criação de vagas e cadastro de reserva na segunda edição do Concurso Público Nacional Unificado (CPNU 2) para o cargo de Analista Técnico Administrativo, com lotação no MGI e posterior redistribuição aos órgãos.
“Com base nos dados coletados, foi possível visualizar um modelo de carreira viável, saindo da lógica de carreiras específicas por órgão para um modelo de carreira transversal. O que o DFT permite hoje é a criação de um novo paradigma de planejamento da força de trabalho, pautado em inovação, mobilidade e polinização do conhecimento, com os servidores, por exemplo o Analista Técnico Administrativo, levando as boas práticas e as boas experiências de um órgão para outro”, declarou Lorena.
Entre as inovações recentes relativas ao DFT, a coordenadora-geral citou a integração entre o Sistema de Dimensionamento de Pessoas (Sisdip) e o Sistema de Gestão de Pessoas (Sigepe). A nova versão do sistema utiliza inteligência artificial para padronizar e agrupar entregas em massa de dados. Com a mudança, o planejamento e a gestão das equipes de trabalho ficaram mais simples, seguros e eficientes. Ela mencionou, ainda, a integração com outros sistemas, como o Petrvs, relacionado ao Programa de Gestão e Desempenho (PGD).
Pablo Piazolla, da Coordenação-Geral de Planejamento da Força de Trabalho (CGFOR) do MGI, abordou o uso do DFT nos processos de criação de cargos efetivos e de redistribuição de cargos vagos. Esses processos são precedidos por análise técnica que avalia documentos e estudos, considerando a necessidade institucional, o fortalecimento da capacidade institucional, o impacto orçamentário e a compatibilidade com o planejamento governamental. A criação de cargos efetivos pode ser adotada quando a necessidade identificada não pode ser atendida com a força de trabalho disponível. Já a redistribuição de cargos vagos é uma alternativa que proporciona melhor aproveitamento dos cargos existentes entre órgãos e entidades.
Sandra Luna, também da CGFOR, falou sobre o programa de mentoria em DFT, que apoia a implantação assistida da metodologia nos órgãos com especialistas selecionados e formados como multiplicadores certificados pelo MGI. Segundo ela, o objetivo final dessa iniciativa é que os órgãos possam desenvolver as competências necessárias para realizar o dimensionamento com segurança técnica e capacidade própria, de forma independente e contínua.
Nos últimos anos, o programa de mentoria contribuiu com a aceleração da implantação do DFT. Até dezembro de 2025, o dimensionamento foi concluído em 5.500 unidades, de 123 órgãos federais, totalizando 6.708 dimensionamentos concluídos, incluindo nesse total as unidades que realizaram mais de um ciclo entre 2023 e 2025. Isso representa um crescimento expressivo em comparação com as 2.188 unidades dimensionadas em 85 órgãos até janeiro de 2025, e uma evolução ainda maior em relação às 1.143 unidades dimensionadas em 61 órgãos em 2024. Mais de 35 mil servidores foram impactados com essa alocação mais estratégica da força de trabalho.
A diretora de Governança e Inteligência de Dados do MGI, Mirian Bittencourt, analisou a coleta estruturada de dados do DFT, ressaltando a relevância do banco de entregas que é construído no dimensionamento, que pode ser integrado ao banco de talentos que demonstra as características dos servidores, e pode auxiliar em decisões não apenas de planejamento da força de trabalho, mas também na gestão de carreiras, de remuneração e de desempenho.
O coordenador de Planejamento da Força de Trabalho do MGI, Diego Tannús Dórea, fez a fala de encerramento da atividade, reforçando a importância da integração do DFT com outras áreas, para subsidiar definições, por exemplo, de atividades de capacitação e pedidos de concursos públicos, de contratações temporárias, de movimentação de pessoal, e de criação e transformação de cargos federais.
Como funciona o DFT?
No início de sua apresentação, Lorena Ferreira explicou brevemente como funciona o processo de dimensionamento nos órgãos, que é conduzido em cinco etapas até a conclusão dos trabalhos:
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ETAPA 1 – Reunião inaugural e alinhamento estratégico: É a etapa inicial dos trabalhos, com a abertura geralmente realizada pelas autoridades do órgão/entidade e do MGI, seguida da realização de uma oficina presencial para mapeamento das grandes entregas do órgão e o relacionamento dessas entregas com seu planejamento estratégico e cadeia de valor.
Nessa primeira oficina, são definidos os pontos focais para interlocução com o MGI, preferencialmente da área estratégica do órgão. Também é feita uma apresentação geral sobre o DFT, abordando suas principais informações, como objetivos, etapas e desdobramentos. Em seguida, é realizado o trabalho de construção colaborativa, com diretorias e respectivas coordenações, para a identificação dos serviços prioritários de cada unidade e o registro em painel durante a oficina, seguindo as instruções da equipe do MGI.
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ETAPA 2 – Oficinas on-line (fase qualitativa): É o início dos trabalhos com as unidades até o nível de coordenação-geral (ou equivalente) para realização da descrição de área, ou seja, levantamento de todas as atividades e entregas das unidades e seu respectivo relacionamento com os serviços, processos e iniciativas estratégicas do órgão ou entidade.
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ETAPA 3 – Oficinas on-line (fase quantitativa): Nesta etapa, são identificadas as entregas em que houve atuação em um determinado intervalo de tempo e a respectiva quantificação dos esforços das equipes empregados nessas entregas (o tempo alocado em cada), bem como os gargalos, as demandas reprimidas e os quantitativos das entregas realizadas frente ao esperado.
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ETAPA 4 – Cálculo do DFT e análise dos resultados: Com todas as informações inseridas no sistema, é gerado o cálculo do DFT das unidades, que resulta na produção de diversos dados que podem subsidiar decisões gerenciais sobre as equipes. Os resultados vão evidenciar as entregas prioritárias da unidade, lacunas de entregas, estimar o quadro ideal do número de pessoas, apontar a concentração de esforços nas entregas mapeadas, dentre outras informações.
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ETAPA 5 – Apoio contínuo aos órgãos dimensionados, com suporte técnico da equipe do MGI.
Sobre o ENGP 2026
O 4º Encontro Nacional de Gestão de Pessoas (ENGP) acontece de 16 a 19 de junho na sede do DNIT, em Brasília (DF), com o tema “Transformação do Estado pela Gestão de Pessoas”. Promovido pelo Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), o maior evento da área no setor público brasileiro busca fortalecer a rede do Sistema de Pessoal Civil da Administração Federal (Sipec) por meio da escuta, da orientação e da construção coletiva entre os órgãos.
O encontro permite que servidoras e servidores de todo o país se atualizem sobre diretrizes, políticas, sistemas e projetos da área, esclareçam dúvidas e conheçam boas práticas de gestão de pessoas. As informações compartilhadas ajudam cada instituição a aprimorar seus processos internos e a fortalecer a gestão de pessoas no Executivo federal.
Fonte: Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos


























