A abertura do segundo dia do 1º Seminário Nacional das Rodas de Samba foi marcada pelo debate sobre memória, identidade, território e patrimônio. A mesa Memória, Identidade, Território e Patrimônio, que abriu a programação desta terça-feira (23), no Palácio Gustavo Capanema, foi mediada pela presidente em exercício da Funarte, Aline Vila Real, e contou com as participações da educadora, filósofa, escritora e ativista Helena Theodoro, da cantora, compositora, escritora e produtora dos grupos Moça Prosa e Awurê, Fabiola Machado, do sociólogo, sambista e curador Tadeu Kaçula, do produtor cultural e idealizador do projeto Banjo Novo de Salvador, Samora Lopes, além da diretora do Patrimônio Imaterial e coordenadora-geral de Promoção e Sustentabilidade do Iphan, Marina Lacerda.
O 1º Seminário Nacional das Rodas de Samba é uma realização do Ministério da Cultura e acontece no Palácio Gustavo Capanema e no Renascença Clube, na cidade do Rio de Janeiro, até a próxima quarta-feira (24). A troca de experiências entre artistas, pensadores, agentes públicos e os diversos atores envolvidos nas rodas de samba tem sido a marca do evento.
De acordo com o sociólogo Tadeu Kaçula, é muito importante pensar o samba em âmbito nacional e ter uma gestão pública que olhe para essa pauta com o devido cuidado. “É importante que estejamos aqui neste seminário, que mostra que o Governo olha para as rodas de samba como uma agenda importante de produção de políticas públicas que dê conta da dimensão do samba para a formação da identidade do povo brasileiro”.
A educadora Helena Theodoro destacou que o samba permite olhar os diversos elementos que estruturam a sociedade. Em sua apresentação ela relembrou o Bembé do Mercado, manifestação da cidade de Santo Amaro, no Recôncavo da Bahia, reconhecida como patrimônio cultural pelo Iphan e que foi homenageada pela escola de samba Beija Flor no carnaval deste ano.
“O mercado, para quem é de comunidade negra, sabe que é o lugar do encontro, o lugar do aprendizado. É um lugar onde compramos nossos bichos, nossas tigelas e aprendemos muito, inclusive a compreender a importância do coletivo. Em Santo Amaro, nós temos essa festa que une todos os terreiros em um samba de roda”, destacou.
Marina Lacerda, diretora do Patrimônio Imaterial e coordenadora-geral de Promoção e Sustentabilidade do Iphan, traçou um histórico dos processos de reconhecimentos das diversas vertentes do samba como patrimônio cultural do Brasil. Ela reafirmou que o reconhecimento do Bembé do Mercado demonstra o olhar do instituto para a cultura popular e, especificamente, o samba. “O Bembé é uma potência gigantesca e realmente avassaladora. Isso fala muito também sobre como o Iphan entende a importância do patrimônio cultural”, afirmou.
Já a cantora Fabiola Machado destacou o trabalho das mulheres que vem sendo desenvolvido na última década para se afirmarem como protagonistas das suas próprias rodas de samba no Rio de Janeiro. Ela contou que o samba, especialmente nesse caso, vem sendo usado como uma poderosa ferramenta política. “É muito interessante a gente falar isso porque se passou uma década e hoje a gente tem mais de dez rodas de samba formadas por mulheres no Rio. A gente começou a ver essa transformação a partir de 2016, quando as mulheres começaram a ocupar as ruas e a gente via famílias inteiras indo para as ruas e usando o samba nesse lugar político”, disse.
Natural de Salvador, o produtor cultural e idealizador do projeto Banjo Novo, Samora Lopes, compartilhou um pouco da sua história de vida e de como o samba vem atravessando gerações na sua família. “Meus pais vivem do samba, meu avô viveu do samba e eu venho deste ambiente de samba, produção cultural e resistência. Porque assim vem sendo feito com o povo preto lá em Salvador”.
Samora destacou ainda que na capital baiana também são muitas as barreiras para quem quer fazer uma roda de samba na rua. “Não é fácil fazer produção cultural em Salvador, apesar da imensidão de pessoas pretas daquele local, mas a predominância econômica branca dificulta muito esse processo. Eu venho desse ambiente, dessa dificuldade de ocupar esses espaços com o nosso olhar”, concluiu.
Fonte: Ministério da Cultura
























