O uso de dados e evidências para apoiar decisões na gestão de pessoas foi o foco dos debates realizados nesta quarta-feira (17/6), durante o Encontro Nacional de Gestão de Pessoas (ENGP) 2026, em Brasília. A programação da tarde foi dedicada ao 3º Seminário de People Analytics, promovido pelo Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI).
A atividade apresentou ferramentas, estudos e experiências para fortalecer a gestão de pessoas baseada em evidências. “Trabalhamos incessantemente para ampliar o uso dos dados e receber o retorno dos usuários sobre os instrumentos que desenvolvemos”, afirmou a diretora de Governança e Inteligência de Dados do MGI, Mirian Bittencourt, que participou do segundo painel do seminário. Também participaram desse debate, a coordenadora-geral de Informações Gerenciais do MGI, Mayara Farias, e o analista do Seguro Social com formação em Estatística Marcelo Rodrigues Ribeiro.
Durante o painel, foi lançada a nova versão do Painel Estatístico de Pessoal (PEP), a ferramenta mais acessada do Observatório de Pessoal. “Temos realizado um grande trabalho para aprimorar a acessibilidade dos conteúdos. Com essa perspectiva, promovemos diversas melhorias no Observatório de Pessoal”, explicou Farias.
Rodrigues destacou a importância do PEP para a produção e a disseminação de informações sobre o serviço público federal. A ferramenta reúne dados históricos da administração pública federal desde 1990, com informações sobre despesas de pessoal, ingresso de servidores, aposentadorias, carreiras, funções e diversidade. “O PEP é nossa fonte segura de informações”, disse.
Na ocasião, também foi lançado o Catálogo do Observatório de Pessoal, que reúne mais de cem produtos de dados, organizados por tema. O material facilita o acesso às informações disponíveis no Observatório e apoiar o planejamento da força de trabalho. O painel também apresentou os resultados da Pesquisa Vozes do Serviço Público, desenvolvida pelo MGI em parceria com a Escola Nacional de Administração Pública (Enap). A pesquisa alcançou cerca de 50 mil respondentes em cada edição, o equivalente a aproximadamente 10% dos servidores em atividade.
Liderança baseada em evidências
O terceiro painel do seminário discutiu o tema “Liderança na prática baseada em evidências”. Participaram Mirian Bittencourt, o coordenador de Conhecimento do Movimento Pessoas à Frente, Eduardo Araújo Couto, e a coordenadora de Informações e Estudos Estatísticos do MGI, Luciana Santos Ferreira. “A Pesquisa Vozes mostrou que ambientes com melhores resultados também são aqueles em que existe segurança psicológica proporcionada pela liderança”, ressaltou Bittencourt sobre a importância do tema.
Couto apresentou estudos desenvolvidos pelo Movimento Pessoas à Frente sobre trajetórias e perfil das lideranças públicas. Segundo ele, a profissionalização da administração pública contribui para a melhoria da gestão e para o enfrentamento de problemas como a corrupção. Os dados indicam que ocupantes de cargos de direção costumam permanecer por períodos relativamente curtos nas funções, embora tenham longa trajetória no setor público. O levantamento também aponta que cerca de dois terços das movimentações representam progressões na carreira e que 63% dos cargos de liderança são ocupados por servidores concursados.
A partir de dados sobre o perfil das lideranças federais sob a perspectiva de gênero, Ferreira defendeu que, além de promover a igualdade, é necessário contar com instrumentos de monitoramento para acompanhar os avanços. Os dados mostram que as mulheres estão mais presentes nos níveis iniciais da liderança e menos representadas nos postos mais elevados da administração pública.
Entre as altas lideranças, a participação feminina passou de 29% em 2022 para 38% em 2026. O levantamento também apontou que mulheres negras e indígenas representam 12,3% das posições de alta liderança. “Historicamente, a responsabilidade atribuída às mulheres pelos cuidados com a família e a casa acaba dificultando sua ascensão a cargos que demandam maior dedicação”, observou Ferreira.
Ao longo do seminário, os participantes reforçaram a importância de ampliar a cultura de uso de dados na administração pública. A proposta é fortalecer decisões baseadas em evidências, qualificar a gestão de pessoas e aprimorar os serviços prestados à população.
Sobre o ENGP 2026
O 4º Encontro Nacional de Gestão de Pessoas (ENGP) acontece de 16 a 19 de junho na sede do DNIT, em Brasília (DF), com o tema “Transformação do Estado pela Gestão de Pessoas”. Promovido pelo Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), o maior evento da área no setor público brasileiro busca fortalecer a rede do Sistema de Pessoal Civil da Administração Federal (Sipec) por meio da escuta, da orientação e da construção coletiva entre os órgãos.
O encontro permite que servidoras e servidores de todo o país se atualizem sobre diretrizes, políticas, sistemas e projetos da área, esclareçam dúvidas e conheçam boas práticas de gestão de pessoas. As informações compartilhadas ajudam cada instituição a aprimorar seus processos internos e a fortalecer a gestão de pessoas no Executivo federal.
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Fonte: Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos






















