A Fundação Casa de Rui Barbosa encerrou nesta sexta-feira (29) a maior edição já realizada do Seminário Internacional de Políticas Culturais. Ao longo de cinco dias de programação intensa, o XV SIPC reuniu mais de 1.400 participantes, entre público presencial e online, consolidando-se como um dos principais espaços de debate, intercâmbio e formulação sobre políticas culturais no Brasil e na América Latina. Foram mais de 700 participantes presenciais e outros 700 acompanhando remotamente a programação, reunindo pesquisadores, estudantes, gestores públicos, trabalhadores da cultura, agentes culturais e representantes da sociedade civil de diferentes regiões do país e do exterior. Durante a semana, a Casa Rui se transformou em ponto de encontro para a circulação de ideias, experiências e reflexões sobre os desafios contemporâneos da cultura.
Idealizadora e coordenadora do Seminário Internacional de Políticas Culturais, chefe do Setor de Pesquisa em Políticas Culturais da Fundação Casa de Rui Barbosa e coordenadora da Cátedra UNESCO de Políticas Culturais e Gestão, Lia Calabre destacou a emoção de celebrar os 15 anos do encontro, que chega em 2026 à sua maior edição já realizada:“Chegar aos 15 anos do Seminário é uma felicidade imensa. É um encontro que reúne academia, sociedade civil, gestores públicos, gestores de coletivos, representantes da cultura popular, dos pontos de cultura e das mais diversas práticas culturais. Ao longo desse tempo, o seminário se consolidou como um lugar fundamental de encontro e diálogo entre a pesquisa, a gestão pública e os sujeitos que constroem a cultura no cotidiano. Nesta edição, a maior que já realizamos até agora, tivemos quase 300 trabalhos apresentados, mais de 50 mesas e cinco dias intensos de conversas, trocas e reflexão coletiva. Com salas cheias, debates potentes e encontros que continuam para além da programação, desdobrando-se em novas redes, novos projetos e novas propostas para as políticas culturais. Fico muito contente por ver o seminário chegar aos 15 anos com essa força, essa continuidade e essa capacidade de mobilização. Brinquei que estamos debutando, e é exatamente essa a sensação: celebrar uma trajetória construída coletivamente e seguir olhando para o futuro com muita felicidade.”
A programação contou com conferências, mesas de comunicação, debates, encontros institucionais e lançamentos de livros, compondo uma intensa agenda dedicada ao pensamento crítico e à circulação de ideias sobre cultura e políticas públicas. Foram quase 300 trabalhos apresentados em mais de 50 mesas de comunicação, com pesquisas e relatos de experiência sobre temas como direitos culturais, diversidade cultural, memória, financiamento, territorialidade, gestão pública, cooperação internacional, participação social e os desafios da reconstrução das políticas culturais no Brasil e na América Latina.
Ao articular universidade, poder público, trabalhadores da cultura e sociedade civil em um mesmo espaço de escuta e formulação, o XV Seminário reforçou a importância da cultura como campo de conhecimento e como prática social vinculada à cidadania e à vida democrática. O encontro também amplia o acesso público à produção acadêmica do setor: todos os trabalhos apresentados nesta edição serão disponibilizados em breve para consulta pública.
Em mensagem em vídeo, a ministra da Cultura, Margareth Menezes, parabenizou a Fundação Casa de Rui Barbosa, o presidente Alexandre Santini e toda a equipe pela realização do XV Seminário Internacional de Políticas Culturais:“Estamos vivendo um processo muito importante de retomada da participação da sociedade civil. Neste seminário, temos estudantes, pesquisadores, profissionais e pessoas da sociedade civil reunidos para discutir e auxiliar na qualificação das políticas culturais, Sabemos que a cultura está em constante movimento. A cada momento e a cada geração surgem novos desafios. Por isso, é muito importante estabelecer espaços de diálogo e escuta como este, para que a gente possa cada vez mais afinar nossos caminhos e ter mais assertividade nas entregas. Seguimos juntos nesse momento de construção, nesse ambiente da democracia, tratando os direitos culturais do povo brasileiro da maneira mais adequada, escutando, fazendo pontes, renovando e melhorando.”
Na abertura do evento, o secretário-executivo do Ministério da Cultura, Márcio Tavares, também defendeu a participação social como elemento central para a consolidação das políticas culturais no país. De acordo com ele, o fortalecimento dessas políticas depende diretamente da capacidade de transformá-las em demandas permanentes da sociedade: “As políticas culturais só se fortalecem verdadeiramente quando se transformam em demanda social concreta. E isso acontece a partir da participação ativa da sociedade”, declarou.
O presidente da Fundação Casa de Rui Barbosa, Alexandre Santini, também destacou o papel do encontro como espaço de articulação, formação e produção de conhecimento no campo das políticas culturais. Ao marcar os 15 anos do Seminário Internacional de Políticas Culturais, Santini ressaltou a trajetória do evento como referência nacional e latino-americana para pesquisadores, gestores públicos, trabalhadores da cultura e formuladores de políticas públicas: “São 15 anos de um encontro que se consolidou como referência no campo das políticas culturais. Um lugar de formação da gestão cultural e da pesquisa em políticas culturais. E tudo isso tem um endereço final: a sociedade brasileira e a efetivação dos direitos culturais”, declarou.
Na conferência de encerramento, Jazmín Beirak diretora-geral de Direitos Culturais do Ministério da Cultura da Espanha, trouxe ao debate uma reflexão sobre cultura, política e os desafios da transformação social no nosso tempo:“Se estamos comprometidos com um projeto político que busca transformação social, emancipação e progresso, precisamos entender as políticas culturais como políticas de primeira ordem. Elas precisam estar na agenda de qualquer projeto progressista de emancipação, porque não é possível pensar transformação social sem pensar a cultura como uma política estratégica para sustentar essa transformação.”
A conferência de encerramento foi conduzida por Àngel Mestres, membro da Trànsit Projectes e coordenador acadêmico do Mestrado em Gestão de Instituições Culturais da Universidade de Barcelona, que guiou o diálogo a partir de provocações sobre os desafios contemporâneos das políticas culturais, a escuta dos territórios e as práticas culturais que muitas vezes permanecem fora do radar institucional. Suas perguntas atravessaram toda a conversa e abriram caminho para as reflexões desenvolvidas por Jazmín Beirak sobre cultura, política, comunidade e transformação social.
Ao completar 15 anos, o Seminário Internacional de Políticas Culturais reafirma sua relevância como espaço permanente de intercâmbio, pensamento e construção coletiva em torno da cultura. Mais do que um seminário, o encontro se consolidou como um território de formulação crítica sobre o presente e o futuro das políticas culturais, contribuindo diretamente para o fortalecimento institucional do setor e para a efetivação dos direitos culturais da sociedade brasileira.
Assista as principais mesas: https://www.youtube.com/live/LK6w-jPOYT8?si=WEAP3JV_c7COOHfI
Confira as fotos do evento: https://www.flickr.com/photos/201877035@N02/albums/72177720333859448/
Fonte: Ministério da Cultura


























