4ª Conferência Nacional LGBTQIA+ destaca fortalecimento das famílias na luta por políticas públicas

(Foto: Duda Rodrigues/MDHC)

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O terceiro dia da 4ª Conferência Nacional dos Direitos das Pessoas LGBTQIA+, realizada pelo Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), por meio da Secretaria Nacional dos Direitos das Pessoas LGBTQIA+, em parceria com o Conselho Nacional dos Direitos das Pessoas LGBTQIA+, foi dedicado às atividades dos Grupos de Trabalho (GTs) que reuniram participantes de todas as regiões do país para discutir e elaborar propostas de fortalecimento das políticas públicas voltadas à população LGBTQIA+.

Com o tema central “Construindo a Política Nacional dos Direitos das Pessoas LGBTQIA+”, o evento sediado no Centro Internacional de Convenções do Brasil (CICB), em Brasília (DF), recebeu cerca de 1.800 pessoas na cerimônia de abertura.

Foram realizados painéis voltados para discussão dos eixos temáticos da conferência (enfrentamento à violência LGBTQIA+; trabalho digno e geração de renda; interseccionalidade e internacionalização; e a consolidação da Política Nacional dos Direitos das Pessoas LGBTQIA+), lançamentos e entregas governamentais, além de outras atividades.

Os resultados consolidados dos GTs foram apresentados na plenária final da conferência, realizada nesta sexta-feira (24), encerrando quatro dias de debates e construção coletiva.

Família LGBTQIA+

Para a fundadora e presidente da Associação Mães da Resistência, Gi Carvalho, o papel das famílias é fundamental no enfrentamento da violência e discriminação. “Sem o diálogo com as famílias, não há enfrentamento à LGBTQIAfobia. É dentro de casa que muitos jovens sofrem exclusão. Precisamos transformar o lar em espaço de acolhimento e não de medo”, afirmou.

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A pernambucana de 52 anos é uma das principais vozes do movimento de familiares de pessoas LGBTQIA+ no Brasil. Desde 2016, Gi é ativista e se define como uma mãe que aprendeu, pela dor e pelo amor, a importância de enfrentar o preconceito dentro de casa.

“Eu me tornei ativista por causa da minha filha. Ela é lésbica e, quando se assumiu, o primeiro espaço de violência que enfrentou foi comigo. Eu fui dura, violenta, preconceituosa. Precisei entender que aquele comportamento era lesbofobia e que vinha de mim”, relatou.

Participação social

(Foto: Patrícia Victor/MDHC)
(Foto: Patrícia Victor/MDHC)

Gi Carvalho também faz parte do Conselho Nacional dos Direitos das Pessoas LGBTQIA+, que integra o MDHC, e ainda atua como conselheira do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social e Sustentável da Presidência da República – conhecido como “Conselhão”.

“Eu sou a única mãe de LGBT dentro do Conselhão do Lula. Há dez anos, eu só queria defender minha filha. Hoje, defendo políticas públicas para que todas as famílias possam acolher as suas”, salientou.

Ela ressaltou que o letramento social e político é essencial para que as famílias tenham o poder de fala e de transformação. “Eu decidi transformar a sociedade para acolher minha filha, não minha filha para se adaptar à sociedade”, reforçou.

Construção coletiva

Já para a professora da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB), em Vitória da Conquista (BA), Helma Mororó, de 55 anos, a caminhada iniciou há pouco mais de dois anos. Desde então, sua trajetória como mãe e militante se entrelaçam.

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“Eu entrei na militância por causa do meu filho. Ele é um homem trans, e quando começou a transição, nós todos transicionamos juntos. A família inteira precisou se redescobrir”, revelou.

Criada em uma família evangélica, Helma é, hoje, vice-coordenadora estadual da Associação Mães da Resistência. “Conhecer outras mães e ver a força delas me deu coragem. A gente aprende que o amor pelos nossos filhos precisa vir junto com a luta por respeito e políticas públicas”, frisou.

A docente estreou em um evento nacional agora, na 4ª Conferência Nacional LGBTQIA+. Para ela, a ocasião simboliza uma retomada da esperança.

“Eu estava grávida quando Lula ganhou sua primeira eleição, em 2002. Na posse, abracei minha barriga e disse: ‘Meu filho, você vai nascer num mundo melhor’. Hoje, 20 anos depois, meu filho renasce, se afirma como quem ele realmente é – e eu sinto novamente essa esperança. A sensação de que estamos reconstruindo um país mais inclusivo, mais justo, mais colorido”, disse emocionada.

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Texto: P.V.

Edição: F.T.

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Fonte: Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania

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