Iphan prepara Igreja de São Francisco para restauro após término de obras emergenciais na nave central

foto: Mariana Alves/Iphan

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Patrimônio cultural brasileiro desde 1938 e monumento histórico, artístico e religioso do Brasil, a Igreja de São Francisco, em Salvador (BA), entra em nova fase de restauro, agora com investimentos do Novo PAC, programa do Governo Federal.

Por meio da atuação do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e do Ministério da Cultura (MinC), já foram realizadas intervenções emergenciais na Igreja, com R$ 2,4 milhões alocados pela autarquia em estruturas de estabilização, armazenamento e catalogação de peças remanescentes do forro do teto e renovação da cobertura de sua nave central. Agora, está em andamento a preparação do restauro completo.

Na primeira fase de obras (quadro completo abaixo), estão estimados investimentos de R$ 34,7 milhões do Novo PAC em ações sequenciais de obras com duração prevista de 34 meses. Estão incluídas a estabilização do claustro, no valor de R$ 1,8 milhão e já em execução, e a contratação de projetos de restauro de todo o complexo, formado pela Igreja e pelo Convento de São Francisco, com aporte de R$ 2,9 milhões. Em seguida, terão início as ações de restauro na Igreja, estimadas em R$ 30 milhões.

A previsão é de que as obras terminem em 2029, quando o monumento poderá ser reaberto aos visitantes.

O presidente do Iphan, Deyvesson Gusmão, destacou o trabalho do instituto e reforçou que a autarquia seguirá dedicando esforços para que a Igreja seja restaurada e reaberta. “O Iphan atuou com muita rapidez e rigor técnico para viabilizar e acompanhar de perto as obras emergenciais. Agora, juntamente com o MinC, o Iphan garantiu R$ 34,7 milhões do Novo PAC para já iniciar as obras de preservação e devolver a igreja à comunidade em três anos.”, explicou o presidente.

Para o superintendente do Iphan na Bahia, Hermano Queiroz, além dessas acões do Governo Federal, é preciso fazer um pacto pela preservação do patrimônio cultural brasileiro, com a participação de toda a sociedade.

“O cuidado com o patrimônio é uma responsabilidade compartilhada. Aqui na Igreja de São Francisco, há uma união de esforcos entre Iphan, a ordem franciscana, que é dona da Igreja, e outros entes públicos para a restauração do conjunto. E esperamos que a iniciativa privada e a sociedade civil também se envolvam, inclusive com apoio de recursos para a recuperação do complexo. Este pode ser um ótimo exemplo para todo o pais”, afirmou.

Igreja de São Francisco no Novo PAC

Para prosseguir com a recuperação de todo o Complexo da Igreja e Convento de São Francisco, Iphan e Ministério da Cultura apresentam um plano de ações em três fases que deve terminar em 2029, com as obras sendo executadas gradualmente, considerando as condições e necessidades de cada espaço.

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Daniel Sombra, diretor do Departamento de Ações Estratégicas e Intersetoriais, apontou que a divisão em etapas permite a continuidade dos trabalhos e dá mais agilidade na recuperação do monumento. “Com a finalização da ação emergencial na nave central da Igreja, já estamos dando os próximos passos com a contratação em fases dos projetos de restauração e obras de preservação do templo. A estratégia que estamos adotando é para que os trabalhos sigam continuamente, permitindo que a comunidade e o país possam visitar a Igreja novamente em um prazo previsto de 34 meses”, apontou o diretor.

As ações de restauro previstas são:

Fase 1 – Igreja, portaria e sacristia – projetos concluídos até julho e obras com previsão de início em novembro deste ano. O investimento previsto é R$ 30 milhões, com prazo de finalização de 28 meses. Soma-se aos 4,7 milhões aplicados na estabilização do claustro e na elaboração dos projetos de restauro das três fases, já em andamento.

Fase 2 – Claustro e sala do capítulo – projetos concluídos até março de 2027. Esse restauro está inicialmente orçado em R$ 15 milhões, com prazo estimado de finalização de 12 meses.

Fase 3 – Ala conventual – projetos concluídos até março de 2027. A expectativa de investimento é de R$ 8 milhões, com conclusão estimada em 6 meses.

Os valores e prazos são estimativas e podem passar por readequações até a finalização dos projetos de restauro.

O que foi feito nas obras emergenciais?

Por se tratar de um bem cultural com mais de três séculos e diversos elementos artísticos integrados que precisam ser preservados, o trabalho de recuperação do templo exige em todas as fases alto grau de conhecimento técnico especializado. “Imediatamente após o acidente, convocamos uma força-tarefa unindo técnicos do Iphan de todo o Brasil, junto com nossa equipe da Bahia, para iniciar as obras emergenciais, com minucioso rigor técnico, para preparar a igreja para o restauro completo”, detalha Elisa Taveira, diretora do Departamento de Patrimônio Material e Fiscalização (Depam).

Para deixar mais claro o trabalho emergencial realizado na nave central da Igreja de São Francisco ao longo do último ano, é possível dividi-lo em três frentes: catalogação e armazenamento de peças remanescentes; estabilização do forro do teto para segurança imediata; e reforço da cobertura e novo telhamento.

Conheça agora com mais detalhes o trabalho emergencial realizado pelo Iphan e pela empresa especializada contratada

Catalogação e Armazenamento

Durante as obras emergenciais, iniciadas em março de 2025, a Igreja de São Francisco foi transformada temporariamente em um ambiente de obras e um espaço controlado de guarda dos materiais desprendidos do forro. Com uso de técnicas pouco invasivas e totalmente compatíveis com critérios internacionais para intervenções em bens artísticos integrados, executou-se um minucioso processo de salvamento para preservação do acervo. Peças de talha dourada e pinhões foram recuperados dos escombros, limpos, catalogados e pré-montados, e todas as partes desse rico patrimônio receberam etiquetas de identificação para futuro restauro. Aproximadamente 95% das peças puderam ser recompostas.

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O interior da igreja foi considerado o ambiente mais adequado para o acondicionamento dessas peças, especialmente por conta da aclimatação, para evitar choques térmicos e danos causados por variação de temperatura e umidade.

A proteção física dos remanescentes artísticos e a preservação da memória material e documental foi um dos objetivos desse trabalho emergencial.

Algumas das peças artísticas com pinturas policromadas e douradas que haviam se desprendido do forro do teto foram catalogadas e armazenadas em estantes metálicas criadas especificamente para esta função e passaram pelo processo de faceamento.

O faceamento é uma técnica de aplicação de película para proteger a camada pictórica original e reduzir riscos de perdas adicionais durante manuseio, deslocamento e armazenamento das peças.

Estabilização do forro do teto

O escoramento integral do que permaneceu do forro no teto da nave central da Igreja de São Francisco deu estabilidade aos elementos preservados após o colapso da estrutura, reduzindo deslocamentos, desprendimentos e perdas adicionais.

Junto com a estabilização, teve início o delicado processo de resgate dos seus elementos artísticos.

Ações adotadas no resgate dos elementos artísticos

Uso de dispositivos metálicos de contenção e fixação, dimensionados e instalados de forma controlada

Proteção das áreas de apoio com espumas, especialmente sobre elementos de madeira, molduras ornamentais e componentes decorativos.

Faceamento as superfícies artísticas com pinturas.

Cobertura reforçada e novo telhamento

Um dos serviços que levaram à ampliação do escopo das intervenções emergenciais foi a renovação da cobertura da nave principal da igreja, com troca de 90% das telhas.. Essa ação de caráter preventivo foi fundamental para proteger de infiltrações de água da chuva tanto o acervo remanescente como o monumento.

Assim, foram reduzidos os riscos de novos danos e asseguradas condições mínimas de estabilidade e conservação para o desenvolvimento das futuras etapas de restauro integral do templo.

Serviços realizados na cobertura:

  • Avaliação geral as condições gerais da cobertura
  • Montagem de cobertura provisória sobre o telhado original para proteção do monumento durante as obras
  • Revisão do madeiramento leve (ripas e caibros)
  • Imunização do madeiramento
  • Substituição total de telhas de cerâmica comprometidas e de peças danificadas
  • Reforço estrutural de peças do madeiramento pesado

Fonte: Ministério da Cultura

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