Ao lado da delegação brasileira, o secretário-executivo adjunto do Ministério da Cultura (MinC), Cassius Rosa, e a secretária do Audiovisual, Joelma Gonzaga, cumpriram, nesta terça-feira (23), agenda em Hengdian, na China. Na província está localizado o maior complexo de estúdios de filmagens do mundo. A programação integrou as ações de aproximação entre Brasil e China no campo audiovisual e reuniu visitas técnicas, encontros institucionais e diálogo com representantes da indústria cinematográfica e cultural chinesa.
A comitiva brasileira visitou o Centro de Exposições da Indústria Cinematográfica e Cultural de Hengdian, a Huan Yu Filmes e o Parque Industrial Cinematográfico de Hengdian. A programação também incluiu reunião com o Comitê de Gestão da Zona de Concentração da Indústria Cinematográfica e Cultural de Hengdian, com a participação de autoridades locais, executivos, pesquisadores, produtores, diretores e profissionais do audiovisual brasileiro.
Joelma Gonzaga avaliou que a experiência revela a escala estratégica da indústria audiovisual chinesa. “O audiovisual da China é monumental em todos os detalhes. Na excelência das histórias, nas estruturas e no modo de fazer”, pontuou.
Hengdian, localizada na província de Zhejiang, consolidou-se como um dos principais polos da indústria audiovisual chinesa. O território reúne estúdios, cenários históricos, estruturas de filmagem aquática, tecnologias digitais, bases de produção, serviços especializados, formação profissional e atividades voltadas ao turismo cultural.
O modelo chinês, de acordo com o secretário executivo do MinC, demonstra como o audiovisual pode impulsionar diferentes setores econômicos. “Um dado interessante que mostra a força do setor audiovisual, que movimenta outros diferentes setores, é que Hengdian vive não apenas do audiovisual, mas também do turismo, que é a maior fonte de receita do município, para além dos filmes que produzem aqui”, observou.
Ele também acrescentou que a experiência chinesa evidencia o impacto do cinema para além da realização das obras. “O turismo aqui gera mais divisas que os próprios filmes que são produzidos aqui, gerando receita para a população local, mostrando que o cinema e o setor do audiovisual são um importante vetor de desenvolvimento econômico, não apenas para suas produções, mas para toda a economia nas cidades onde eles são produzidos”, completou.
Joelma, por sua vez, chamou a atenção para a integração entre produção audiovisual, economia local e turismo. “O audiovisual movimenta toda a economia da região, a cidade respira audiovisual, o turismo, tudo é impactado por causa desse complexo. É muito bonito ver isso aqui, na monumentalidade da China”, declarou.
Hengdian e a cadeia completa do cinema
Na reunião institucional, representantes chineses apresentaram a trajetória de desenvolvimento de Hengdian, que há quase 30 anos atua na consolidação de uma cadeia audiovisual integrada. O polo concentra mais de 2 mil empresas, mais de 100 estúdios profissionais, mais de 50 bases de filmagem em cenários reais e um contingente de mais de 100 mil profissionais ligados ao setor.
Hengdian é responsável por uma parcela expressiva da produção audiovisual chinesa, com destaque para dramas históricos e obras de época. O complexo já recebeu mais de 5 mil equipes de produção e reúne estruturas que recriam diferentes períodos da história chinesa, além de cenários de deserto, montanhas de neve, ambientes aquáticos e estúdios modernos para filmagens virtuais.
Lu Xuping, membro do Comitê Permanente do Comitê Municipal de Dongyang e diretora do Departamento de Propaganda, salientou que a visita brasileira representa uma oportunidade para ampliar a cooperação bilateral. “Nós temos uma base muito consolidada para aprofundar a cooperação audiovisual Brasil-China”, assinalou.
Ela também manifestou o interesse chinês em ampliar a colaboração entre os dois países. “Esperamos sinceramente podermos aproveitar essa visita como ponto de partida para aprofundar ainda mais nossa cooperação. Vamos contribuir para fazer a ponte cultural entre os dois povos”, acrescentou.
Durante a reunião com representantes chineses, Cassius Rosa frisou que a agenda ocorre em um momento de fortalecimento das relações culturais e comerciais entre os dois países. Ele também defendeu que o audiovisual brasileiro vive um período de projeção internacional.
“Estamos num momento muito importante do audiovisual brasileiro, em que estamos conquistando com os nossos filmes telas no mundo inteiro, ganhando com os nossos filmes os principais festivais em que estamos participando e queremos aprofundar esta relação com o povo chinês para que conheça cada vez mais o nosso audiovisual”, declarou.
Para o secretário, a cooperação deve avançar em diferentes frentes, incluindo tecnologia, coprodução, parcerias comerciais e fortalecimento da infraestrutura do setor. “Queremos avançar nas relações com o compartilhamento de tecnologia, com discussões de coproduções, discussões de parcerias com todos os setores do audiovisual. Isso nos mostra que esta relação tem tudo para ser um sucesso e avançarmos cada vez mais”, projetou.
Joelma Gonzaga apresentou aos representantes chineses um panorama do audiovisual brasileiro e ressaltou o papel estratégico do setor para a economia, a cultura e a imagem internacional do país.
“No Brasil, a indústria audiovisual é maior do que a indústria automobilística, maior do que a indústria farmacêutica, e é um setor que emprega mais de 600 mil pessoas por ano, além de contribuir para o PIB com mais de R$ 24 bilhões por ano”, detalhou.
Joelma informou que o Brasil trabalha para avançar nos acordos de coprodução com a China e viabilizar instrumentos de financiamento voltados à ampliação das parcerias entre os dois países. “Estamos envidando todos os nossos esforços para que ainda este ano eles estejam vigentes e possamos viabilizar linhas de financiamento através do nosso Fundo Nacional para aumentar a parceria entre os dois países”, explicou.
Zhou Jiangfeng, executivo de tecnologia da informação e inteligência artificial, pesquisador e desenvolvedor de Hengdian, apresentou o funcionamento da cadeia produtiva local e o avanço da transformação digital no setor. Segundo ele, Hengdian reúne registro de projetos, aluguel de equipamentos, produção de objetos de cena, intermediação de atores, alimentação, hospedagem, serviços jurídicos, formação e apoio técnico.
“Hoje, é uma das regiões da China com a cadeia audiovisual mais completa e com um dos menores custos integrados”, explicou Zhou Jiangfeng.
O pesquisador também destacou o investimento em inteligência artificial aplicada ao audiovisual. “Nos últimos anos, Hengdian também está lançando o grande modelo de IA do setor audiovisual, promovendo a atualização inteligente do setor”, informou.
A formação profissional é outro eixo estratégico do complexo. A Universidade de Filme e Televisão de Hengdian conta com mais de dez mil estudantes e integra o ecossistema que abastece a indústria local com novos talentos. Também estão em desenvolvimento projetos de expansão voltados à pós-graduação e à formação avançada de profissionais.
Leonardo Edde, presidente da RioFilmes, enfatizou que a presença brasileira na China também abre possibilidades de cooperação entre cidades, com foco em serviços, capacitação técnica, inovação, tecnologia, coproduções e residências artísticas. “Uma das metas mais importantes dessa gestão da Prefeitura da cidade do Rio de Janeiro é a internacionalização e a exportação de produtos e serviços culturais”, comentou.
Segundo ele, a China ocupa posição estratégica nesse movimento. “A prefeitura já tem uma relação comercial muito importante com a China e a internacionalização das nossas produtoras de cinema e audiovisual é muito importante, principalmente sob o ambiente dos BRICS. A China, claro, é um dos parceiros mais importantes”, considerou.
Tecnologia, formação e inovação
A delegação brasileira também conheceu estruturas de alta tecnologia do Parque Industrial Cinematográfico de Hengdian, incluindo estúdios com recursos de filmagem virtual, telões modulares, ambientes subaquáticos e equipamentos voltados à criação de efeitos especiais. Entre as instalações visitadas, está um estúdio com 12 mil metros quadrados, tanques para filmagem subaquática e sistemas de simulação de ondas.
Na Huan Yu Filmes, a comitiva conheceu uma empresa de atuação integrada nas áreas de desenvolvimento, produção, distribuição, gestão de artistas, publicidade e internacionalização de conteúdos. Com presença no setor há mais de 20 anos, a companhia atua na China e em mercados internacionais, com distribuição em mais de 40 plataformas e alcance em mais de 200 países, especialmente no Japão, na Coreia e no Sudeste Asiático.
A visita também apresentou estratégias de expansão de propriedade intelectual a partir das obras audiovisuais, com produtos derivados como livros, miniaturas, joias, leques, perfumes, figurinos, objetos colecionáveis e itens voltados ao público jovem. A delegação conheceu ainda áreas dedicadas a figurino, maquiagem, cenografia, croquis e preparação de elenco.
Entre os processos apresentados, estavam etapas de desenvolvimento de roupas e maquiagem, leitura e preparação de falas, ensaios, provas de figurino e treinamentos específicos para determinadas produções. Algumas peças de figurino podem levar meses para serem produzidas e envolvem técnicas artesanais, materiais como couro e cobre e referências a diferentes dinastias chinesas.
A missão brasileira em Hengdian reforça a estratégia do Ministério da Cultura de ampliar a circulação internacional do audiovisual brasileiro, estimular coproduções, fortalecer a infraestrutura do setor e aproximar o Brasil de mercados estratégicos. A agenda também consolida o audiovisual como instrumento de desenvolvimento econômico, cooperação cultural e projeção internacional do país.

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Fonte: Ministério da Cultura
























