“Atuação em rede”: MDHC e INSEA concluem projeto que fortalece catadoras e catadores de recicláveis em Belo Horizonte

(Foto: Divulgação)

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O Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), em parceria com o Instituto Nenuca de Desenvolvimento Sustentável (INSEA), concluiu, nessa terça-feira (30), as ações do projeto voltado ao fortalecimento de catadoras e catadores de materiais recicláveis em situação de rua de Belo Horizonte (MG). Firmado por meio do Termo de Fomento nº 966035/2024, o projeto teve 23 meses de vigência e beneficiou catadoras e catadores que atuam em associações, cooperativas ou de forma autônoma, incluindo pessoas em situação de rua.

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A iniciativa alcançou catadoras e catadores de quatro cooperativas da capital mineira: Associação dos Catadores de Papel, Papelão e Material Reaproveitável (ASMARE), Coopesol Leste, Coopersoli e Cataunidos. O objetivo foi ampliar a capacidade produtiva da categoria, fortalecer sua autonomia e promover melhores condições de trabalho e geração de renda, por meio da aquisição de equipamentos e veículos e da realização de atividades educativas voltadas ao aprimoramento profissional e à sustentabilidade.

Para a diretora de Promoção dos Direitos da População em Situação de Rua do MDHC, Maria Luiza Burgareli Gama, o projeto é um exemplo de como a intersetorialidade pode garantir dignidade, acesso a renda e mais possibilidades no mercado de trabalho. “Cerca de 30% das pessoas em situação de rua no Brasil atuam na catação de materiais recicláveis. Se, em BH, muitos faziam esse trabalho sem estrutura ou segurança, agora estão atuando em rede”, afirmou.

Produtividade

Ao longo da execução, o INSEA viabilizou a compra e a entrega de um conjunto de equipamentos e veículos que devem ampliar a capacidade de trabalho das cooperativas e dos catadores autônomos. Foram adquiridos três prensas, uma balança eletrônica, dois caminhões de pequeno porte com carroceria, um veículo utilitário leve, 20 carrinhos de catador, 1.706 big bags, cinco carros de movimentação de fardos, quatro celulares, seis notebooks, uma geladeira, quatro armários de aço e duas mesas para triagem.

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Além da entrega de equipamentos, o projeto promoveu uma série de oficinas nos galpões das cooperativas, com temas que vão da trajetória histórica e das políticas públicas voltadas à categoria até questões práticas do cotidiano de trabalho. Entre os assuntos tratados, estiveram o papel empreendedor dos catadores na cadeia da reciclagem, a emissão de nota fiscal e o preenchimento do Manifesto de Transporte de Resíduos (MTR), justiça climática e desenvolvimento territorial, saúde e segurança no trabalho, aposentadoria, associativismo e cooperativismo, além de comunicação e redes sociais voltada à juventude catadora.

Duas atividades tiveram destaque especial na execução do projeto. A primeira foi uma roda de conversa realizada em parceria com o projeto Conexão Cidadã e a ASMARE, que reuniu catadores autônomos do Morro das Pedras para debater associativismo, cooperativismo, direitos da categoria, preços praticados, desafios do mercado de reciclagem e segurança no trabalho. Como desdobramento, a equipe técnica do INSEA vai capacitar a equipe do Projeto Conexão para a realização de um Diagnóstico Rápido Participativo Urbano, metodologia utilizada há mais de duas décadas pelo instituto para mapear a realidade de trabalho e de vida das comunidades e apontar soluções compartilhadas.

A segunda atividade foi a oficina sobre gênero e sexualidade, realizada especificamente com as mulheres catadoras em um ambiente seguro e acolhedor. O encontro tratou de direitos das mulheres, autocuidado, saúde, relações de gênero, sexualidade, relacionamentos saudáveis e enfrentamento à violência, funcionando também como espaço de escuta, troca de experiências e respeito às diferenças.

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Legado além do projeto

Para o INSEA, os resultados do projeto ultrapassam a entrega de equipamentos e representam o fortalecimento de histórias, a ampliação das possibilidades e a reafirmação da importância das catadoras e dos catadores de materiais recicláveis para a construção de um futuro mais sustentável e inclusivo.

A coordenadora do projeto, Ângela Rosane de Oliveira, avalia que os resultados alcançados vão além dos números entregues. “Foram organizações mais estruturadas com a entrega dos equipamentos e veículos; a realização de oficinas com temas relevantes; a capacitação de jovens catadores para realizar postagens nas redes sociais”, afirmou.

Com o encerramento formal das atividades, o MDHC e o INSEA reforçam que o legado do projeto permanece nas organizações fortalecidas, nas pessoas que conquistaram novas perspectivas de trabalho e renda e nas comunidades de catadoras e catadores que seguirão sendo acompanhadas a partir das metodologias e parcerias construídas ao longo da iniciativa.

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Texto: F.T.

Edição: R.F.

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Fonte: Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania

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