Quando o assunto é violência, é comum lembrar das agressões físicas. No entanto, há uma outra forma de ataque que pode passar despercebida, mas que é igualmente grave: a violência psicológica.
Trata-se de qualquer conduta que cause dano emocional, diminuição da autoimagem e constrangimento. Caracterizada por ações, verbais ou não, que causam sofrimento emocional, perda de autoestima e prejuízos à saúde mental, a violência psicológica pode ocorrer de maneira velada ou gradual, o que pode tornar sua identificação pela vítima ou por pessoas ao seu redor mais difícil.
No contexto da população LGBTQIA+, essa violência é impulsionada pelo preconceito e pela discriminação decorrentes da orientação sexual ou da identidade de gênero. A agressão pode ocorrer em diversos ambientes, como no núcleo familiar, em relacionamentos afetivos, nas escolas, no ambiente de trabalho e em espaços públicos. As principais manifestações incluem:
- Ameaças e chantagens: intimidações diretas ou indiretas que visam controlar o comportamento da vítima;
- Humilhação e ridicularização: uso de apelidos pejorativos ou comentários feitos com o objetivo de diminuir a vítima em público ou no ambiente privado;
- Privação de liberdade e isolamento: ações destinadas a afastar a pessoa de sua rede de apoio social, amizades ou familiares;
- Hostilidade no ambiente profissional: ambientes de trabalho inseguros que resultam em exclusão, desvalorização ou impedimento de desenvolvimento na carreira.
Comportamentos a evitar e como combatê-los
No cotidiano, a violência psicológica pode surgir em atitudes naturalizadas que violam a dignidade das pessoas LGBTQIA+. Reconhecer e combater esses comportamentos é essencial para promover a igualdade de direitos. Alguns exemplos são:
- Desrespeito ao nome social e à identidade de gênero: sempre respeite a autodeclaração e utilize o nome social e os pronomes indicados pela pessoa;
- Rejeição e chantagem afetiva no ambiente familiar: promova um diálogo respeitoso e a aceitação individual da orientação sexual ou identidade de gênero no ambiente doméstico;
- Piadas e comentários discriminatórios: não reproduza e combata manifestações verbais que ridicularizem a diversidade;
- Práticas de exclusão no trabalho: assegure processos seletivos e ambientes corporativos pautados pela equidade e pelo respeito.
Onde buscar acolhimento
O combate à violência psicológica exige uma rede de apoio ativa e o acesso a serviços públicos especializados. Vítimas podem receber atendimento com equipes multidisciplinares que auxiliam desde o contato inicial até o direcionamento a outros serviços necessários:
- Centros de Referência de Assistência Social (CRAS): unidades públicas municipais para acolhimento e orientação de famílias em vulnerabilidade;
- Centros de Referência Especializados de Assistência Social (CREAS): locais destinados ao atendimento de indivíduos e famílias com direitos violados;
- Centros de Referência, Casas de Acolhimento e Casas da Cidadania LGBTQIA+: espaços públicos ou da sociedade civil voltados ao acolhimento, à proteção e à promoção dos direitos das pessoas LGBTQIA+. Cada unidade tem funcionamento específico, podendo oferecer atendimento social e psicológico, orientação jurídica, atividades de convivência, abrigamento provisório e encaminhamento à rede de serviços.
Confira a lista dos Centros de Referência, Casas de Acolhimento e Casas da Cidadania LGBTQIA+ acompanhados pelo Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania.
A busca pelas unidades mais próximas pode ser feita em aplicativos de mapas digitais, basta digitar o nome do serviço a ser acessado.
Disque 100
A discriminação e a violência psicológica motivadas por preconceito contra a população LGBTQIA+ constituem violação dos Direitos Humanos. O registro de denúncias é fundamental para a apuração dos fatos e para a proteção da vítima.
Caso presencie ou seja vítima de violência psicológica, denuncie. O Disque 100 funciona gratuitamente, 24 horas por dia, todos os dias da semana, inclusive sábados, domingos e feriados. As denúncias podem ser realizadas pelos seguintes canais:
Telefone: disque 100, gratuitamente, de qualquer telefone fixo ou celular;
WhatsApp: (61) 99611-0100;
Telegram: busque por “DireitosHumanosBrasil” no aplicativo;
Atendimento em Libras: videochamada em Língua Brasileira de Sinais (Libras);
E-mail: [email protected]
Presencialmente: na Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos, em Brasília (DF).
Leia também:
Violência institucional: saiba o que é e como denunciar
Texto: R.B.
Edição: F.T.
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