O Termo de Cooperação Técnica que formaliza a união de esforços para a execução da iniciativa ocorreu durante o lançamento do Projeto Lótus e foi assinado pela procuradora-chefe do MPT-MT, Thaylise Campos Coleta de Souza Zaffani.
O projeto é desenvolvido pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) e pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), com a participação do MPT-MT e do MPT em Mato Grosso do Sul (MPT-MS), da Secretaria de Estado de Justiça (Sejus/MT), da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), do Instituto Ação pela Paz e da organização Nova Acrópole.
O projeto
O Projeto Lótus reforça o compromisso com a promoção de ambientes de trabalho seguros, saudáveis e humanizados, especialmente em contextos profissionais marcados por elevada complexidade e exposição a situações de estresse e sofrimento emocional.
Segundo Zaffani, a ideia de desenvolver uma ação voltada aos profissionais do sistema prisional surgiu a partir do diálogo entre as instituições. “Existem muitas iniciativas voltadas à população privada de liberdade, mas também é necessário olhar para quem está diariamente na linha de frente. Esse projeto representa esse olhar de cuidado para os servidores”, pontuou a procuradora-chefe do MPT-MT.
A coordenadora do Centro de Apoio Operacional (CAO) da Execução Penal do MPMT, procuradora de Justiça Josane Fátima de Carvalho Guariente, destacou que a saúde mental dos profissionais do sistema prisional precisa ser tratada como uma prioridade institucional. Dados apontam que cerca de 80% dos afastamentos registrados no sistema penitenciário de Mato Grosso em 2025 tiveram como causa principal o sofrimento psíquico.
“A saúde mental de quem trabalha no cárcere não é um detalhe humanitário. É uma questão de segurança pública, de eficiência institucional e de justiça. Foi dessa constatação que nasceu o Projeto Lótus, para oferecer espaços seguros de escuta, acolhimento e valorização desses profissionais”, afirmou a procuradora de Justiça.
Representando o MPT-MS, o coordenador regional de Promoção da Regularidade do Trabalho na Administração Pública (Conap), procurador do Trabalho Celso Rodrigues Fortes, enfatizou que a melhoria do sistema prisional passa necessariamente pela valorização dos servidores. “Não há como transformar a realidade do sistema prisional sem cuidar das pessoas que o fazem funcionar diariamente. O policial penal e os demais servidores precisam ter um ambiente de trabalho saudável para exercer suas funções com dignidade e qualidade”, declarou.
A coordenadora do Núcleo de Qualidade de Vida no Trabalho do MPMT, promotora de Justiça Gileade Maia, no evento representando o procurador-geral de Justiça, Rodrigo Fonseca Costa, ressaltou que a iniciativa foi construída a partir da escuta das necessidades dos próprios profissionais. “O diálogo se transformou em cooperação e a cooperação resultou neste projeto. O Lótus demonstra que cuidar das pessoas é uma responsabilidade compartilhada e uma estratégia indispensável para a construção de ambientes de trabalho mais saudáveis”, declarou.
Também fizeram o uso da palavra a promotora de Justiça do MPMS Jiskia Sandri Trentin; a promotora de Justiça Regilaine Magali Bernardi Crepaldi, auxiliar da Corregedoria-Geral do MPMT; a diretora-executiva do Instituto Ação pela Paz, Maria Solange Rosalem Senese; e o vice-reitor da UFMT, professor doutor Silvano Macedo Galvão.
Espaços de escuta
Desenvolvido pelo CAO da Execução Penal e realizado pelo Centro de Estudos e Aperfeiçoamento Funcional (Ceaf) do MPMT, o Projeto Lótus tem como propósito criar espaços de escuta, diálogo e acolhimento aos profissionais do sistema penitenciário.
A proposta prevê encontros temáticos, rodas de conversa e atividades voltadas à promoção da saúde mental, ao fortalecimento dos vínculos humanos, ao desenvolvimento pessoal e à valorização dos servidores. A iniciativa busca contribuir para a construção de ambientes de trabalho mais saudáveis e humanizados, reconhecendo que o cuidado com aqueles que atuam na linha de frente do sistema penitenciário também é fundamental para a efetividade das políticas públicas de segurança e execução penal.
*Com informações do MPMT


























