Abertura oficial do Seminário de Avaliação da Política Nacional Aldir Blanc reforça cultura como direito, democracia e política baseada em evidências

Foto: Filipe Araújo/MinC

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A cultura como instrumento de democracia, desenvolvimento e transformação social deu o tom da cerimônia oficial de abertura do I Seminário de Avaliação dos Resultados da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, realizada na noite desta terça-feira (30), no Palácio Gustavo Capanema, no Rio de Janeiro (RJ). Representantes do Governo do Brasil, dos governos estaduais e municipais e da sociedade civil defenderam a avaliação permanente das políticas públicas e a articulação federativa como pilares para consolidar a iniciativa.

Ao participar da abertura por vídeo, a ministra do Supremo Tribunal Federal, Cármen Lúcia, destacou que fortalecer as políticas culturais significa fortalecer a democracia, a liberdade e a capacidade de transformação da sociedade.

“A cultura traduz uma atividade libertadora. É o espaço garantido em um Estado Democrático de Direito para a transgressão autorizada daquilo que está posto, permitindo propor mudanças para aquilo que ainda pode vir a ser. Daí a enorme importância da cultura e desse vínculo indissociável entre arte, cultura e democracia. A cultura brasileira precisa ser estimulada, respeitada, defendida e fomentada”, afirmou.

Na sequência da cerimônia, a ministra da Cultura, Margareth Menezes, ressaltou que a reconstrução do Ministério da Cultura, promovida pelo Governo do Brasil desde 2023, permitiu retomar políticas estruturantes e ampliar o diálogo entre União, estados, municípios e sociedade civil. Segundo ela, o seminário representa um novo momento da gestão cultural brasileira ao colocar a avaliação das políticas públicas e a produção de evidências no centro das decisões.

“Trazer dados sempre foi, para mim, uma das tarefas mais importantes para mudarmos o jogo. Precisamos demonstrar, na prática, por meio da ciência, da pesquisa e das evidências, aquilo que está sendo entregue ao povo brasileiro”, afirmou.

Segundo ela, a produção de informações qualificadas permite aperfeiçoar continuamente a Política Nacional Aldir Blanc e ampliar seu alcance em todo o país, contribuindo para que as políticas culturais sejam construídas de forma cada vez mais democrática e conectada à realidade dos territórios.

“A cultura é feita pelo povo. São as expressões culturais do nosso país, em toda a sua diversidade, que preservam a memória, contam a nossa história e também constroem o nosso futuro”, destacou.

Margareth Menezes também defendeu a construção coletiva das políticas culturais e ressaltou que os avanços conquistados nos últimos anos são resultado do diálogo permanente entre os entes federativos e a sociedade.

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“Nada disso acontece por acaso. Tudo isso é resultado de muito trabalho, muita dedicação e muito diálogo com a sociedade. Precisamos compreender em que estágio estamos na consolidação da Política Nacional Aldir Blanc, uma política tão importante para todos nós. O Ministério da Cultura está de portas abertas. Nada se constrói sozinho”, disse.

Avaliação fortalece as políticas públicas

O secretário-executivo do Ministério da Cultura, Márcio Tavares, afirmou que o seminário marca uma nova etapa da Política Nacional Aldir Blanc ao incorporar o monitoramento e a avaliação como instrumentos permanentes para o aperfeiçoamento da política.

Segundo ele, a recriação do Ministério da Cultura exigiu não apenas a retomada do financiamento ao setor, mas também a reconstrução dos mecanismos institucionais capazes de acompanhar os resultados das políticas culturais e ampliar a articulação federativa.

“Se queremos que a Política Nacional Aldir Blanc seja cada vez mais democrática, precisamos compreender seus resultados”, afirmou.

Márcio destacou que a produção de dados qualificados amplia a capacidade do Estado de aperfeiçoar continuamente suas políticas culturais.

“Os dados oferecem evidências concretas para responder à desinformação e permitem planejar conjuntamente o futuro da política cultural brasileira”, ressaltou.

Também destacou que os primeiros estudos apresentados durante o seminário revelam avanços importantes na democratização do acesso aos recursos e, ao mesmo tempo, apontam desafios que deverão orientar os próximos ciclos da Política Nacional Aldir Blanc.

“Existe algo que é verdadeiramente democrático: o talento. Cabe às políticas públicas criar oportunidades para que esse talento, presente em todos os territórios, em todas as classes sociais e em todas as regiões do Brasil, possa florescer”, afirmou.

Dados para aperfeiçoar as políticas públicas

Compondo a mesa de abertura, a subsecretária de Gestão Estratégica do Ministério da Cultura, Letícia Schwarz, lembrou que a principal missão assumida pela pasta desde sua recriação pode ser resumida em uma palavra: reconexão.

Conforme explicou, além de reconstruir o diálogo com gestores estaduais, municipais, pesquisadores e sociedade civil, o Ministério reaproximou a formulação das políticas culturais da produção de conhecimento. Para ela, esse movimento se materializa na apresentação dos três estudos inéditos elaborados pelo Sistema Nacional de Informações e Indicadores Culturais (SNIIC), que analisam diferentes dimensões da execução do primeiro ciclo da Política Nacional Aldir Blanc.

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“Política pública não se faz de forma consistente sem avaliação. Não se faz sem dados, sem pesquisa, sem ouvir críticas e sem retroalimentar continuamente o processo”, afirmou.

Articulação federativa

Para Mary Land de Brito Silva, representante do Fórum Nacional de Secretários e Dirigentes Estaduais de Cultura, a cooperação entre os estados foi um dos fatores decisivos para a implementação da Política Nacional Aldir Blanc. 

Segundo ela, a troca permanente de experiências entre os gestores ampliou a capacidade de execução da política e contribuiu para levar os recursos a todas as regiões do país.

“Pela primeira vez, em nossa trajetória, estamos vendo os recursos da cultura chegarem a todos os municípios e a todos os estados brasileiros. Nunca havíamos vivido algo semelhante”, afirmou.

Na mesma direção, o presidente da Rede Nacional de Gestores Municipais de Cultura, Davi Terra, destacou que o processo de avaliação precisa considerar a experiência de quem executa a política pública nos municípios e acompanha de perto seus impactos nos territórios.

“Avaliar a Política Nacional Aldir Blanc sem a escuta ativa dos gestores e da sociedade civil seria olhar para os números sem compreender as vidas que eles transformam”, pontuou.

Segundo Davi, a atuação conjunta entre o Ministério da Cultura, estados e municípios foi determinante para que a Política Nacional Aldir Blanc alcançasse os territórios e se consolidasse como o maior processo de descentralização das políticas culturais já realizado no país.

Programação

Antes da cerimônia oficial de abertura, o seminário promoveu três painéis dedicados à democratização do acesso ao fomento, à articulação federativa e à territorialização dos recursos da Política Nacional Aldir Blanc. Os debates reuniram gestores públicos, pesquisadores e representantes da sociedade civil para discutir os primeiros resultados da execução da política e os desafios para seu aperfeiçoamento.

A programação continua nesta quarta-feira (1º) com painéis sobre Cultura Viva, ações afirmativas e histórias de vida de agentes culturais contemplados pela Política Nacional Aldir Blanc. Também serão apresentados novos resultados das pesquisas produzidas pelo Sistema Nacional de Informações e Indicadores Culturais (SNIIC), ampliando o debate sobre os próximos passos da política como instrumento permanente de fomento à cultura. 

Fonte: Ministério da Cultura

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