“A terra tem todas as respostas”. Foi com essa reflexão que o ambientalista e filósofo Ailton Krenak participou, nesta quinta-feira (22), da visita à exposição Você Já Escutou a Terra?, uma das atividades da programação cultural da 6ª Teia Nacional dos Pontos de Cultura, promovida pelo Ministério da Cultura (MinC), em Aracruz (ES). Com a presença da ministra da Cultura, Margareth Menezes, e da curadora Karen Worcman, no Sesc Praia Formosa, a exposição conta com proposta sensorial e imersiva e promove reflexões sobre justiça climática, memória coletiva e a relação entre a humanidade e a natureza.
O encontro realizado no Salão Espanha, local da mostra, e como surpresa para o artista e norteou o debate sobre cultura, sustentabilidade e bem viver como temas estruturantes das políticas culturais brasileiras.
Durante a visita, a titular da Cultura destacou que a presença da exposição dentro da Teia simboliza o reconhecimento e o acolhimento das culturas indígenas, tradicionais e comunitárias como parte essencial da identidade cultural brasileira. Segundo ela, iniciativas como essa fortalecem a visibilidade das narrativas dos povos originários e ampliam sua presença dentro das políticas públicas de cultura.
Margareth também definiu a Teia Nacional como um espaço de construção coletiva da diversidade cultural brasileira. Para ela, o encontro materializa diferentes modos de existir, criar e preservar os territórios culturais do país. “Hoje nós estamos materializando nessa Teia as possibilidades e as esperanças de continuação desse projeto de Brasil melhor, um Brasil que acolha todos nós”, afirmou.
Sons da vida
Um dos destaques da mostra é o Manto, peça central construída coletivamente por comunidades e organizações culturais de diferentes regiões do Brasil. A obra foi confeccionada com resíduos reutilizados e tecidos costurados em processos colaborativos, transformando materiais descartados em símbolos de memória, pertencimento e continuidade. “São estes resíduos que chamamos de “lixo”. São centenas de tirinhas de copos de plástico como os que me ofereceram”, comparou.
Na parte dedicada às pesquisas e reflexões curatoriais, Karen Worcman ressaltou a importância de pensar a justiça climática como um tema inseparável da vida humana e da preservação dos territórios. Durante a visita, a curadora citou estudos da arqueóloga e antropóloga Lyn Wadley, pesquisadora reconhecida internacionalmente pelas escavações realizadas na caverna Sibudu, na África do Sul, onde foram encontrados registros feitos com carvão há aproximadamente 80 mil anos.
A comparação foi utilizada para provocar uma reflexão sobre a permanência dos resíduos produzidos atualmente pela humanidade. “Se um registro de fogo e carvão consegue se manter evidente por tanto tempo, imagina um copo plástico ou resíduo que o homem moderno utiliza e descarta todos os dias?”, observou a curadora.
A exposição também incorpora elementos ligados à escuta profunda e à valorização das histórias de vida dos territórios brasileiros, com a etapa Museu da Pessoa. Segundo os organizadores, o objetivo é estimular o público a ouvir não apenas as pessoas, mas também os rios, as florestas, os silêncios e os impactos ambientais produzidos pelas cidades contemporâneas.
A exposição Você Já Escutou a Terra? permanece em cartaz até o dia 24 de maio, no Sesc Praia Formosa, com entrada gratuita. A visitação acontece de quarta a sábado, das 8h às 16h, e às sextas-feiras em horário ampliado, das 8h às 20h.
Teia Nacional
A 6ª Teia Nacional dos Pontos de Cultura reúne agentes culturais, coletivos, mestres e mestras das culturas populares, povos tradicionais, representantes da sociedade civil e gestores públicos de todas as regiões do Brasil.
O evento é uma realização do Ministério da Cultura, do Governo do Estado do Espírito Santo, da Prefeitura de Aracruz e da Comissão Nacional dos Pontos de Cultura (CNPdC), em parceria com o Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes), o Sesc, Unesco e o programa IberCultura Viva.
Fonte: Ministério da Cultura
























