Diálogos SNIIC debate desafios do cálculo do PIB da Cultura e anuncia novos boletins de dados do MinC

Foto: Victor Vec/; MinC

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A 7ª edição dos Diálogos SNIIC, realizada na tarde desta sexta-feira (24), colocou no centro do debate um dos temas mais estratégicos para o campo cultural: a mensuração do Produto Interno Bruto (PIB) da Cultura. O encontro, promovido pelo Ministério da Cultura (MinC), reuniu especialistas da Firjan, Fundação Itaú e Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para discutir metodologias, desafios e caminhos possíveis para qualificar os indicadores do setor.

Durante a abertura, a subsecretária de Gestão Estratégica do MinC, Letícia Schwarz, enfatizou que compreender os mecanismos por trás dos dados é essencial para o avanço das políticas públicas. “Se a gente quer impactar o PIB da cultura, a gente precisa, cada um de nós, entender quais alavancas podemos puxar”, explicou. Ela também ressaltou que o papel da cultura vai além de seu valor simbólico: “A cultura importa não só pela emancipação e cidadania, mas também pelo seu papel econômico no desenvolvimento”.

O debate evidenciou que não há uma única forma de calcular o PIB da cultura — e que as escolhas metodológicas impactam diretamente os resultados. Diferenças na seleção de atividades, nas bases de dados e nas formas de mensuração explicam por que estudos distintos chegam a números variados sobre a participação da cultura na economia brasileira.

Representando a Firjan, Paulo Vitor Ramalho apresentou o Mapeamento da Indústria Criativa 2025, destacando a transversalidade do setor. “Quase 80% dos profissionais criativos atuam fora do setor criativo, mostrando sua transversalidade”, informou. Segundo o estudo, o chamado PIB criativo representou cerca de 3,59% do PIB nacional em 2023, com base na massa salarial. Ramalho ponderou, no entanto, que os números devem ser lidos com cautela: “O PIB criativo é uma aproximação, não um valor exato, toda metodologia é imperfeita”.

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Na mesma linha, Esmeralda Macana, da Fundação Itaú, reforçou a necessidade de múltiplas abordagens para compreender o setor. “Abordagens metodológicas diferentes levam a resultados diferentes – por isso o diálogo é essencial”, declarou. A pesquisa apresentada pela instituição estima que a economia criativa movimentou R$ 280 bilhões em 2020, o equivalente a 3,11% do PIB brasileiro. Esmeralda também chamou atenção para desigualdades estruturais. “As desigualdades dentro da economia criativa são ainda maiores que no resto da economia brasileira”, completou.

Já os pesquisadores Leonardo Athias e João Hallak trouxeram a perspectiva do IBGE, com um exercício metodológico que opta por utilizar o termo “contribuição econômica da cultura” em vez de PIB, por rigor conceitual. “PIB é conceito de Contas Nacionais e exige harmonizações e procedimentos específicos”, reforçou Athias.

24.04.2026 - Diálogos SNIIC, números do PIB da Cultura

A estimativa apresentada pelo estudo se baseia no Valor Adicionado Bruto (VAB) de um recorte mais específico das atividades culturais, indicando participação de cerca de 1,05% em relação ao PIB em 2023. A abordagem mais restrita ajuda a evidenciar como diferentes delimitações do que é considerado cultura impactam diretamente os resultados.

O contraste entre os números evidenciou um ponto central do encontro: a necessidade de harmonização conceitual e avanço na produção de dados oficiais. Para a coordenadora-geral de Informações e Indicadores Culturais da SGE, Sofia Leonor Von Mettenheim, esse é um passo estratégico. De acordo com ela, é fundamental diferenciar economia criativa e cultura: “É muito importante termos esses dados da economia criativa, mas que a gente possa discriminar o que é específico da cultura”.

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Além do debate técnico, o MinC anunciou iniciativas para ampliar o acesso e a sistematização de dados. Entre elas, o lançamento, ainda neste semestre, de três novos boletins no âmbito do Sistema Nacional de Informações e Indicadores Culturais (SNIC): o Monitora Cultura, com acompanhamento periódico das políticas do MinC; o Boletim Avalia, voltado à análise de políticas públicas; e o Boletim Pesquisa, com aprofundamentos temáticos baseados em evidências.

Os dois últimos serão lançados em conjunto e terão como primeiro tema as ações afirmativas na Política Nacional Aldir Blanc, incluindo análises sobre a aplicação de cotas raciais, para povos indígenas e pessoas com deficiência em editais culturais.

Ao longo do encontro, também foram destacados os efeitos indiretos da cultura na economia, como o impacto sobre o turismo e o consumo. “Cada real movimentado pela Lei Rouanet pode gerar outros 7,6 reais na economia”, lembrou Letícia Schwarz. Ela também apontou lacunas na mensuração atual. “Consumo de celular hoje é motivado em grande parte pelo acesso à cultura, e isso não está na conta do PIB cultural”, frisou.

O evento reforçou o papel do SNIIC como espaço de articulação entre governo, pesquisadores e instituições, com o objetivo de consolidar uma cultura de dados no setor cultural brasileiro. A expectativa é que o avanço na produção e na integração de indicadores contribua para políticas públicas mais precisas, transparentes e alinhadas à complexidade da cultura no país.

Fonte: Ministério da Cultura

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