Em Manaus, um projeto busca incentivar o hábito da leitura e fortalecer a identidade cultural de jovens estudantes da zona rural e de comunidades ribeirinhas. Fábulas e Apólogos da Amazônia chega nesta quarta-feira (6) a uma nova escola com uma programação que abrange contação de histórias, interação cultural e práticas educativas.
Realizada pelo Instituto Manaós, a iniciativa integra as ações do Ponto de Cultura Marquesiano, da Rede Nacional de Cultura Viva, e foi contemplada em edital da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura.
“O projeto surgiu a partir do desejo de aproximar crianças e adolescentes da leitura por meio de uma linguagem acessível, lúdica e conectada com a realidade amazônica. É inspirado na obra das professoras Creuza e Adriana Barbosa, que reúne histórias curtas com personagens regionais e ensinamentos que dialogam com o cotidiano da nossa região”, explica o presidente do Instituto Manaós e gestor do Ponto de Cultura Marquesiano, Waldir Santos Jr.
Segundo ele, a proposta foi incorporada às ações do ponto de cultura como estratégia de valorização da cultura local, utilizando a contação de histórias, a oralidade e as vivências artísticas como ferramentas pedagógicas.
“A meta é levar esse conteúdo principalmente para escolas da zona rural e de comunidades ribeirinhas, onde o acesso a atividades culturais ainda é limitado”, salienta.
Promover o acesso à cultura em territórios distantes do centro urbano é um dos objetivos do programa, que incluem ainda a valorização dos saberes e personagens da cultura da região, estimular a imaginação e o senso crítico e integrar literatura, educação e arte de forma inclusiva e participativa.
“Com o livro Fábulas e Apólogos da Amazônia, a nossa vontade era fazer ecoar, por meio da leitura para crianças, o encantamento do nosso contexto amazônico. O projeto foi pensado para trabalhar com crianças em escolas públicas. Hoje traz essa oportunidade com outras linguagens como a contação de histórias, teatro, música e dança, além de chegar às áreas distantes. Significa uma vivência de partilha de saberes e sabores da terra, valorizando o nosso jeito amazônida de ser, a nossa cultura”, comenta a escritora Adriana Barbosa.
Receptividade
Nesta quarta, a ação será realizada na Escola Municipal Ebenézer, no Rio Negro, para alunos da educação infantil ao 9° ano. O projeto começou em abril, quando foi levado a duas instituições de ensino e reuniu mais de 140 alunos. Até o final, será apresentado em cinco unidades escolares.
A receptividade tem sido positiva, com envolvimento dos estudantes com as histórias e atividades. “As crianças interagem durante a contação e demonstram identificação com personagens e cenários amazônicos. Isso fortalece o interesse pela leitura e torna a experiência mais significativa”, analisa Waldir.
Investimento
Fábulas e Apólogos da Amazônia faz parte de um conjunto de ações do Ponto de Cultura Marquesiano, com recursos viabilizados pelo Edital nº 003/2025 da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, no valor de R$ 150 mil, executado pelo Governo do Amazonas, por meio da Secretaria de Cultura e Economia Criativa.
“Os pontos de cultura desenvolvem projetos como o Fábulas e Apólogos da Amazônia e demonstram o alcance transformador do fazer cultural nas comunidades. A Política Nacional Aldir Blanc amplia a Cultura Viva e, ao envolver estados, DF e municípios, garante que iniciativas dos territórios sejam reconhecidas. Certificadas como pontos, tais iniciativas, em parceria com o Estado, promovem maior acesso à leitura, às artes e à história, valorizando saberes e identidades. Um caminho para construirmos um país mais democrático, justo, diverso e inclusivo”, frisa a secretária de Cidadania e Diversidade Cultural, Márcia Rollemberg.
Para o gestor do Ponto de Cultura Marquesiano, a Aldir Blanc foi fundamental para a proposta. “Ela permitiu não apenas executar as ações com qualidade, mas também a distribuição de exemplares do livro e a participação de profissionais da cultura e da educação. A Aldir Blanc fortalece iniciativas como essa ao descentralizar o acesso à cultura, permitindo que projetos cheguem a públicos que historicamente têm menos acesso a esse tipo de ação”, ressalta Waldir.
Fonte: Ministério da Cultura























