“Eles me ajudam a desenvolver habilidades e melhorar a qualidade das minhas entregas. Isso me deixa mais preparada para lidar com diferentes situações.” A percepção é da publicitária brasiliense Laura Rodrigues, de 30 anos. E poderia ser de milhares de brasileiros que têm encontrado na aprendizagem contínua uma forma de se reinventar.
Em um cenário em que o conhecimento se atualiza em ritmo acelerado e as exigências do mundo do trabalho se transformam constantemente, a busca por formação deixou de ser um ponto de chegada para se tornar um caminho permanente. É nesse contexto que a Escola Nacional de Administração Pública (Enap) se consolida como uma das principais parceiras estratégicas do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), ampliando o acesso à qualificação profissional tanto para servidores quanto para a sociedade em geral.
A trajetória de Laura ilustra esse movimento. Após conhecer a Enap em 2018, durante uma Festa Junina do órgão, ela se inscreveu na plataforma e, desde então, já concluiu cinco cursos, explorando temas ligados à sua área de formação, comunicação, e também assuntos de interesse pessoal, como meio ambiente.
Enap em números
Entre janeiro e abril de 2026, mais de 840 mil pessoas acessaram a plataforma Escola Virtual.Gov. Nesse período, foram realizadas mais de 1,6 milhão de inscrições, resultando em 726.265 certificados emitidos.
Em média, cada usuário se inscreveu em dois cursos, e cerca de 367 mil pessoas concluíram ao menos uma formação – o que representa aproximadamente 43% dos inscritos.
“Os cursos têm linguagem clara e foram úteis como capacitação profissional, mas o conhecimento adquirido tem sido útil na vida pessoal, para lidar melhor com as novas tecnologias”, conta Isabela, 45 anos, agente da Polícia Federal em Campina Grande (PB), que buscou formações em Inteligência Artificial.
A ampliação da oferta de cursos acompanha as transformações do mundo do trabalho. Em 2025, foram lançados 206 novos cursos na plataforma, e, apenas nos primeiros meses de 2026, outros 31 já foram disponibilizados. Os conteúdos vão desde módulos rápidos, com cerca de quatro horas de duração, até programas mais longos, que podem durar meses, todos com certificação.
O alcance da Enap também se destaca pelo perfil diverso de seu público. Atualmente, 58% dos usuários não têm vínculo com a administração pública. Entre os demais, servidores representam 31%, seguidos por empregados públicos (8,65%) e militares (3,75%).
Essa diversidade também aparece nas trajetórias profissionais. Há dois anos, o Analista de Comunicação Social da Dataprev, Thiago Oliveira, de 37 anos, utiliza a plataforma como ferramenta de atualização constante, mas sua relação com a Enap começou antes, em diferentes órgãos públicos por onde passou.
“Os estudos de diversidade e inclusão me prepararam para o trabalho que fazia lá, mas, principalmente, me formaram como pessoa, como cidadão”, relata, ao relembrar um ciclo formativo de um ano em temas como comunidade LGBTQ+, questões raciais e populações ribeirinhas.
Os dados do painel de alunos reforçam esse caráter plural. Entre os participantes, há 7.186.278 pessoas que se autodeclaram brancas, 6.184.190 pardas, 1.752.566 pretas, 260.438 amarelas e 72 mil indígenas.
A diversidade também se manifesta nas diferentes fases da vida. Pessoas entre 40 e 45 anos lideram as inscrições, com cerca de 3,3 milhões, seguidas pela faixa de 35 a 39 anos (quase 3,2 milhões) e de 30 a 34 anos (quase 3 milhões). Ao mesmo tempo, jovens de até 19 anos somam 480 mil inscrições, enquanto o público acima dos 65 anos ultrapassa 500 mil.
Essa amplitude mostra que a formação continuada deixou de ser uma etapa pontual e passou a acompanhar toda a trajetória profissional — e pessoal.
O alcance da Enap ultrapassa, inclusive, as fronteiras nacionais. As inscrições chegam a todas as regiões do Brasil e ao público internacional, com estudantes de países da América do Sul, América Central, América do Norte e Europa.
Diversidade e inclusão
A presença feminina é outro destaque. Desde 2006, as mulheres somam quase 12 milhões de inscrições, o equivalente a aproximadamente 57% do total de alunos, evidenciando o protagonismo feminino na busca por qualificação.
Esse movimento dialoga com ações mais amplas conduzidas pelo MGI, voltadas à promoção da equidade de gênero e à valorização das mulheres no ambiente de trabalho, com iniciativas que incluem capacitação, prevenção à violência de gênero e fortalecimento da autonomia feminina.
Entre essas iniciativas está o LideraGOV – Programa de Desenvolvimento de Líderes do Futuro, fruto da parceria entre o MGI e a Enap, que busca formar uma rede de servidores preparados para atuar em funções estratégicas.
A jornalista Géssica Trindade, de 53 anos, servidora pública desde 2010 e atualmente Analista Técnico do Poder Executivo Federal (ATE), participou da edição LideraGov 2.0, em 2021, após perceber a necessidade de retomar os estudos. “Há muitos anos eu não estudava. Tomar conhecimento do LideraGOV me fez perceber a necessidade de voltar a estudar e de manter estudos contínuos, tanto para me atualizar como profissional como para ampliar a visão dos meus direitos como trabalhadora e como cidadã”, relata.
Ao longo de cerca de um ano de formação, ela destaca o impacto direto no desenvolvimento de competências essenciais para a liderança. “A comunicação interpessoal é muito importante para desenvolver relações de liderança, saber negociar e abordar temas sensíveis como violências e abusos”, afirma.
Para Géssica, essas formações também se refletem em mudanças no ambiente institucional. “Acredito que a atuação do poder público nesse sentido tem sido exemplar e está à frente de muitos setores privados. Eu estive em uma situação de assédio moral no trabalho e encontrei espaço para levar a questão para a chefia, que soube acolher e conduzir. Isso depende de capacitação dos dois lados, de quem lidera e de conhecer seus direitos”, relata. “Não tenho dúvidas de que o poder público está mais aberto e que tem construído espaços mais seguros para as mulheres”, conclui.
Ao reunir histórias individuais, dados expressivos e iniciativas estruturantes, a atuação da Enap revela um movimento consistente de ampliação do acesso ao conhecimento. Um processo que conecta formação, inclusão e desenvolvimento, que contribui diretamente para um serviço público mais preparado e para uma sociedade mais qualificada.
Mais informações sobre as ações do MGI para a proteção e fortalecimento das mulheres no mercado de trabalho podem ser consultadas no Especial Mulheres.
O que mais se aprende na Enap
Dentre os temas mais procurados neste ano, os destaques são para:
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Gestão Pública (202.906 usuários)
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Direitos Humanos e Cidadania (182.699 usuários)
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Governo e Transformação Digital (174.639 usuários)
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Políticas Públicas (168.605 usuários)
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Comunicação (137.729 usuários)
No guarda-chuva de Governo e Transformação Digital, a plataforma conta hoje, por exemplo, com 29 cursos de Inteligência Artificial, 06 de Governança de Dados, 44 de Transformação Digital, acompanhando as transformações digitais no mundo do trabalho e na gestão pública. Há diversas capacitações abertas ao público geral, que abordam desde conceitos introdutórios até aplicações práticas da IA no cotidiano profissional. O objetivo é preparar cidadãos e servidores para lidar com novas ferramentas, análise de dados e soluções inovadoras.
Formação aberta à sociedade
Cursos com inscrições abertas ao público geral:
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Inteligência Artificial Generativa: Escola Virtual Gov
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Inteligência Artificial para Simplificar o dia a dia: Escola Virtual Gov
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IA Generativo da Microsoft – Copilot: Escola Virtual Gov
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Internet das Coisas (IoT) Aplicada para a Resolução de Desafios: Escola Virtual Gov
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FluêncIA Empreendedores: Escola Virtual Gov
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Ética em IA: Escola Virtual Gov
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Introdução ao Processamento de Linguagem Natural: Escola Virtual Gov
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Soluções Preditivas Baseadas em dados com o uso do R e do Phyton: Escola Virtual Gov
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Capacitação em Governança de Dados: Escola Virtual Gov
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Análise de Negócios no Desenvolvimento de Soluções Baseadas em Dados: Escola Virtual Gov
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IA e Clima – Contrapartidas e Transformações: Escola Virtual Gov
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Uso de dados raciais aplicado às Políticas Públicas – Básico: Escola Virtual Gov
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Uso de dados raciais aplicados às Políticas Públicas – Intermediário: Escola Virtual Gov
Inovação e Inteligência Artificial no serviço público
O Núcleo de Inteligência Artificial (Núcleo de IA) – composto pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), MGI, Enap, Serpro, Dataprev, FINEP e Casa Civil da Presidência da República – mantém um ambiente online dedicado ao compartilhamento de ferramentas, orientações, metodologias e guias práticos para o uso responsável e estratégico da IA. Além disso, o núcleo promove ações para incentivar a adoção da tecnologia no setor público e fortalecer a capacitação dos servidores públicos, com trilhas de aprendizagem específicas.
A iniciativa vai além da oferta de conteúdos. O núcleo também promove ações para incentivar a adoção da tecnologia no setor público e fortalecer a capacitação dos servidores, com trilhas de aprendizagem específicas para diferentes perfis profissionais. “A gente não está falando só de selecionar cursos. Estamos falando de ampliar o acesso ao conhecimento e permitir que a inteligência artificial se torne, de fato, uma ferramenta de produtividade no dia a dia do serviço público”, explica Patrícia Maia, Assessora Técnica da Coordenação Geral de Governança em IA da Secretaria de Governo Digital (SGD) do MGI.
Segundo ela, o trabalho de curadoria é pensado de forma estratégica, conectado ao processo mais amplo de transformação do Estado. “A SGD busca um alinhamento com esse ecossistema, garantindo que o servidor não apenas conheça a tecnologia, mas saiba aplicá-la de forma ética, segura e eficiente”, afirma.
Por isso, a curadoria se traduz em trilhas de aprendizagem organizadas por níveis de conhecimento e atuação. “Temos desde conteúdos de letramento digital, para quem está começando, até formações mais densas, voltadas a gestores de políticas públicas e especialistas em dados. Priorizamos cursos com aplicabilidade no setor público, especialmente aqueles que tratam de governança, proteção de dados e automação de processos”, detalha.
Cooperação educacional com a China
Enquanto histórias individuais mostram o impacto da formação no cotidiano, a agenda de qualificação também ganha dimensão internacional, conectando o Brasil a experiências globais e ampliando as possibilidades de inovação no setor público. Em abril, durante um Fórum de Alto Nível na Universidade Tsinghua, em Pequim, a ministra Esther Dweck apresentou a agenda brasileira de Transformação do Estado a autoridades e especialistas internacionais. O encontro reuniu lideranças em torno de desafios como o uso de novas tecnologias, a melhoria da gestão pública e o desenvolvimento sustentável e inclusivo.
No evento, a agenda foi posicionada como estratégica para um Estado mais preparado para o futuro, com foco na qualificação, inovação e melhoria dos serviços públicos. Na mesma ocasião, a presidenta da Enap, Betânia Lemos, firmou um Memorando de Entendimento voltado à cooperação educacional, ampliando as possibilidades de formação e intercâmbio.
O acordo estabelece bases de cooperação pautadas pelo benefício mútuo, igualdade e reciprocidade, prevendo ações como programas de capacitação customizados para servidores, agentes de governo e estudantes, além de seminários, encontros acadêmicos e projetos de pesquisa conjuntos.
Também estão previstas iniciativas de intercâmbio de profissionais e estudantes, compartilhamento de cursos a distância, troca de publicações e materiais acadêmicos, circulação de informações institucionais e oferta de bolsas de estudo, conforme a disponibilidade de cada instituição.
Especial
Esta matéria integra o especial do MGI em celebração ao Dia do Trabalhador, comemorado em 1º de maio. Ao longo da série, as reportagens mostram como um conjunto amplo de medidas vem redesenhando a rotina de quem atua no serviço público federal.
Mais do que apresentar ações isoladas, o especial revela um movimento estruturado de transformação que conecta valorização, recomposição da força de trabalho, modernização das carreiras e melhoria das condições de trabalho. São mudanças que partem das pessoas e se refletem na capacidade do Estado de entregar serviços mais eficientes, inclusivos e alinhados às necessidades da população.
As histórias mostram que transformar o Estado passa, necessariamente, por valorizar pessoas, porque é nelas que a política pública ganha forma, chega à população e faz diferença de verdade.
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Fonte: Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos
























