Rede de Bioinsumos fortalece agricultura familiar e amplia acesso a tecnologias sustentáveis no campo

Foto: Ascom SEAB/MDA

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Em meio aos desafios impostos pelas mudanças climáticas e à crescente demanda por uma alimentação mais saudável, o Governo do Brasil, por meio do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), avança na implementação de uma estratégia nacional de incentivo aos bioinsumos. Consolidada pela Portaria nº 40/2025, a iniciativa busca apoiar práticas sustentáveis, fortalecer a autonomia dos agricultores familiares e reduzir os custos de produção. A Rede de Bioinsumos para Agricultura Familiar (Rede BioAF) tem incentivado o uso e a produção de insumos de origem biológica pelos agricultores familiares, impactando diretamente a produção de alimentos no país e contribuindo para a oferta de alimentos mais saudáveis à população.

Desenvolvida em parceria com instituições de ensino superior e pesquisa, sob coordenação da Secretaria de Abastecimento, Cooperativismo e Soberania Alimentar (SEAB/MDA), a Rede BioAF está presente em todas as regiões do país, que atuam de forma integrada em pesquisa, inovação, desenvolvimento e transferência de tecnologias em bioinsumos voltadas à agricultura familiar. Além disso, a política pública contribui para a qualificação dos processos produtivos e para a formação das famílias agricultoras.

Para a secretária de Abastecimento, Cooperativismo e Soberania Alimentar, Ana Terra, a articulação com universidades e institutos de ensino é fundamental para garantir que a política pública alcance efetivamente quem está no campo. “As instituições de ensino são parceiras estratégicas nesse processo, porque nos ajudam a levar conhecimento técnico, formação e inovação diretamente aos territórios rurais. Essa aproximação é essencial para ampliar o acesso dos agricultores familiares às tecnologias sustentáveis e fortalecer a produção de alimentos saudáveis no Brasil”, destaca.

Ao permitir que os próprios produtores elaborem fertilizantes e defensivos naturais, a estratégia reduz a dependência de insumos externos e agrega valor à produção no campo. A transição de um modelo baseado em insumos químicos para sistemas sustentáveis de base biológica, no entanto, ainda representa um desafio para muitas famílias agricultoras.

Expansão e resultados no Sul

Para ampliar o alcance da ação, o MDA tem firmado parcerias com instituições de ensino superior por meio dos Termos de Execução Descentralizada (TED), levando capacitação técnica diretamente aos territórios rurais. Na região Sul (RS, SC e PR), por exemplo, a Rede de Bioinsumos já apresenta resultados nos primeiros meses de execução. Em quatro meses, mais de 230 famílias agricultoras participaram de processos formativos voltados à adoção de práticas sustentáveis. A iniciativa alia formação técnica à implantação de unidades de produção de bioinsumos, tendo como base organizações locais, como cooperativas, sindicatos e grupos de agricultores que já atuam na transição agroecológica.

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Foto: Ascom SEAB
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Para o professor Vinicius Piccin Dalbianco, coordenador da Rede de Bioinsumos na Região Sul pela Universidade Federal do Pampa (Unipampa), a expectativa é ampliar significativamente o alcance da ação nos próximos anos. “A meta é, até o início de 2027, formar mais de 650 famílias agricultoras e implantar 13 unidades de produção de bioinsumos. Essas estruturas terão capacidade para atender mais de 3.500 hectares de produção agrícola, ampliando o acesso dos agricultores a tecnologias sustentáveis e fortalecendo a transição para sistemas produtivos mais resilientes”, afirma.

De acordo com os coordenadores da Rede de Bioinsumos no Rio Grande do Sul, o projeto foi estruturado em nível nacional e sua atuação no estado evidencia o potencial de mobilização, formação e produção de bioinsumos voltados à agricultura familiar camponesa. “Isso é especialmente importante em um cenário em que grandes empresas dominam o mercado de insumos, muitas vezes voltado às grandes culturas, dificultando o acesso dos pequenos produtores. A nossa rede busca justamente qualificar a produção de alimentos com métodos adaptados à realidade da agricultura familiar”, ressaltam os professores Eloir Missio e Ritieli Baptista Mambrin.

Formação técnica e parceria com institutos

Outro exemplo relevante de atuação da Rede BioAF é o trabalho desenvolvido em parceria com o Instituto Federal de São Paulo (IFSP), campus Avaré. A iniciativa tem como foco a elaboração de materiais técnicos que orientem a produção de bioinsumos de forma segura e eficiente, utilizando uma linguagem acessível e adaptada à realidade dos agricultores familiares. Além disso, são realizados treinamentos práticos com o uso do laboratório de bioinsumos do campus e de uma unidade de produção instalada em cooperativa de agricultores da reforma agrária, fortalecendo a conexão entre teoria e prática.

Somente em 2025, o projeto promoveu a capacitação prática de, aproximadamente, 260 pessoas, entre agricultores e agricultoras, extensionistas e formadores, ampliando o acesso ao conhecimento e contribuindo para a autonomia produtiva no campo. No ano de 2026, a parceria será expandida para a região Sudeste do país, ampliando parcerias e fortalecendo as ações de capacitação.

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A iniciativa passa a contemplar um número ainda maior de agricultores e agricultoras, além de gestores de unidades de produção de bioinsumos para uso próprio. “Investir na capacitação de agricultores e agricultoras é fundamental para fortalecer a produção de alimentos saudáveis, especialmente em sistemas produtivos que respeitam o meio ambiente. Quando ampliamos o acesso ao conhecimento e às tecnologias sustentáveis, promovemos mais autonomia no campo e contribuímos para sistemas agroalimentares mais resilientes”, reforça a professora Marcela Pavan, coordenadora do projeto no IFSP.

Experiência em Goiás

No estado de Goiás, a parceria com a Universidade Federal de Goiás (UFG) rendeu seis ciclos de capacitações por todo o estado desde 2025, com mais de 350 agricultores familiares capacitados. As formações incluíram temas como fertilizantes organominerais, produção de bokashi e vermicompostagem. A Sra. Maria da Piedade, coordenadora do Acampamento Maracujina, em Porangatu (GO), ressalta a importância das discussões: “Não é só um aprendizado, é mostrar que juntos somos mais fortes!”.

Com o apoio da professora Eliana Brasil, coordenadora do projeto, em 2026 mais agricultores serão qualificados. Também está prevista a conclusão da entrega de uma unidade de reprocessamento do coco verde, uma unidade de reprocessamento da borra de café e um minhocário, com o objetivo de produzir húmus de minhoca com inclusão de borra de café para uso nas produções locais.

Fortalecimento da agricultura familiar

A Rede de Bioinsumos também fortalece a união e a cooperação entre agricultores, associações e cooperativas. O trabalho coletivo na produção e no uso desses insumos promove a troca de conhecimentos e experiências, valoriza os saberes territoriais e reforça o papel das comunidades rurais na construção de sistemas produtivos mais sustentáveis. Dessa forma, a iniciativa contribui para consolidar um modelo agrícola mais justo, inclusivo e alinhado às realidades da agricultura familiar brasileira.

Texto: Aline Santos, Ascom SEAB/MDA

Fonte: Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar

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