O Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), por meio da Secretaria Nacional dos Direitos das Pessoas LGBTQIA+ (SLGBTQIA+), integra os debates da 10º Conferência Regional da International Lesbian, Gay, Bisexual, Trans and Intersex Association – Latin America and the Caribbean (ILGA LAC) em Niterói (RJ) nesta semana. O encontro promove um amplo debate sobre as principais agendas e estratégias de luta do movimento LGBTQIA+, considerando as especificidades e o contexto regional da América Latina.
Entre os dias 5 e 8 de maio, ativistas, movimentos sociais e organizações LGBTQIA+ se reúnem sob o tema “Orgulho Antifascista pela Democracia, Nossos Direitos e Diversidade”, inserindo-se em um debate global sobre a proteção das soberanias nacionais e o enfrentamento ao crescimento de ideologias contrarias à diversidade. A programação inclui oficinas, plenárias e apresentações culturais focadas em temas como justiça social, violência contra pessoas trans e a sustentabilidade dos movimentos sociais.
A secretária dos Direitos das Pessoas LGBTQIA+, Symmy Larrat, destaca os desafios e perspectivas da política pública para as pessoas LGBTQIA+ no Brasil, com foco em temas como o fortalecimento da participação social, a inclusão no mercado de trabalho, as políticas de acolhimento em curso, o enfrentamento da violência e a promoção da cidadania.
“A América Latina é marcada por profundas desigualdades sociais, territoriais e econômicas, o que dificulta a implementação de políticas públicas voltadas a essa população. Em muitos países, há limitações na capacidade administrativa do Estado, com falta de recursos, equipes técnicas reduzidas e baixa integração entre entes federativos. Isso faz com que políticas bem desenhadas no plano nacional encontrem obstáculos para chegar de forma efetiva às populações mais vulneráveis”, afirmou.
Ações brasileiras
Symmy Larrat apresentou as políticas públicas voltadas para a população LGBTQIA+ em curso no MDHC. Ela enfatizou que a pasta tem estruturado sua atuação a partir da Política Nacional dos Direitos das Pessoas LGBTQIA+, que funciona como eixo orientador das ações no país.
“A iniciativa organiza a atuação do Estado em regime de cooperação entre União, estados e municípios, articulando instrumentos como conselhos, conferências e instâncias de gestão compartilhada. Esse arranjo busca garantir participação social, continuidade das políticas e maior capilaridade territorial, além de integrar diferentes áreas, como saúde, educação, trabalho e segurança, em uma abordagem transversal de promoção de direitos”, explicou a secretária.
Na prática, as ações se desdobram em frentes complementares que incluem o enfrentamento à violência e a ampliação de mecanismos de proteção; a promoção da cidadania e da inclusão social; e o fortalecimento da produção de dados. Programas de acolhimento, formação de agentes públicos e apoio a iniciativas da sociedade civil convivem com estratégias de monitoramento e avaliação, criando uma base mais consistente para a implementação das políticas. “Com isso, o MDHC busca não apenas responder a violações de direitos, mas também reduzir desigualdades estruturais e consolidar uma política pública de caráter permanente e articulado”, acrescentou Larrat.
Nesse sentido, a secretária sinaliza que é fundamental estruturar, no continente, uma rede em defesa dos direitos da população LGBTQIA+ com movimentos, organizações sociais e o poder público para desenhar um conjunto de ações no continente e estruturar possibilidades de políticas públicas.
Articulação regional
A ILGA LAC é uma rede regional que integra a ILGA World, articulação global que reúne organizações da sociedade civil comprometidas com a promoção e defesa dos direitos das pessoas LGBTQIA+, com atuação na América Latina e no Caribe. A rede conecta coletivos, ONGs e movimentos sociais para fortalecer agendas comuns, promover incidência política e trocar experiências entre países.
Entre suas principais ações, estão a organização de conferências regionais, a produção de conhecimento sobre direitos humanos e o apoio a estratégias de enfrentamento à discriminação e à violência contra pessoas LGBTQIA+ na região. A realização do evento em Niterói conta com o apoio do MDHC, por meio da SLGBTQIA+, em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).
“A conferência nos possibilita olhar e analisar a realidade, sistematizar as principais vulnerabilidades no ponto de vista continental e orientar a construção de política pública para a população LGBTQIA+. O que estamos fazendo aqui é histórico. É histórico para o Brasil. É histórico para o nosso continente. E fomenta possibilidades de articulação política e incidência internacional”, afirmou Symmy Larrat.
Historicamente, os encontros são palco de formulação de agendas políticas, de fortalecimento do diálogo entre governos e sociedade civil, e de resistência cultural.
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Texto: W.L.
Edição: F.T.
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