Mesa discutiu sustentabilidade dos territórios culturais, com atividade formativa da Escult sobre políticas públicas e redes colaborativas

Foto: Victor Vec/ MinC

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O Ministério da Cultura (MinC) promoveu, nesta quinta-feira (21), roda de conversa sobre economia viva, cultura e trabalho coletivo dentro da programação da 6ª Teia Nacional dos Pontos de Cultura, em Aracruz (ES). Realizado no centro da Feira de Economia Criativa do evento, o debate contou com a presença da secretária de Economia Criativa do MinC, Cláudia Leitão, representantes da economia solidária, pesquisadores e agentes culturais para discutir formação, geração de renda e fortalecimento das redes culturais comunitárias como eixos centrais para o desenvolvimento econômico e social dos territórios.

Conduzindo a mesa, a coordenadora de Planejamento e Sistema Nacional Cultura Viva do MinC, Carolina Freitas, destacou que as economias solidária e criativa fazem parte da essência da Política Nacional Cultura Viva. “A política nasce baseada nesse tripé de educação, cultura e cidadania. Então, a gente não pode deixar de pensar a economia nesse processo”, afirmou.

Durante sua fala, a secretária de Economia Criativa do MinC, Cláudia Leitão, reforçou a defesa da economia criativa como um modelo baseado no bem viver, na sustentabilidade e na valorização dos trabalhadores da cultura. “Estamos falando de economias do século XXI: emergentes, urgentes e necessárias. Todas elas devem lutar pelo comércio justo, pela dignidade dos trabalhadores e contra a precarização”, afirmou.

A secretária também anunciou o novo Portal Brasil Criativo e destacou a importância de fortalecer os ecossistemas culturais para garantir condições dignas a quem vive da cultura. “Quem vive de cultura quer viver com aquilo que faz. Precisamos permitir que esses ecossistemas funcionem de forma digna”, declarou.

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Diagnóstico Econômico da Cultura Viva

Ao longo da roda de conversa, a pesquisadora Luana Vlutz, da Universidade Federal da Bahia, apresentou dados do Diagnóstico Econômico da Cultura Viva, levantamento realizado em 867 municípios brasileiros com mais de 2,4 mil respostas de Pontos e Pontões de Cultura. Segundo ela, a chamada “economia viva” está ligada à preservação dos territórios, das memórias e das práticas culturais comunitárias. “Essa economia da troca, da ajuda mútua e da colaboração existe. E 70% dos pontos afirmaram mobilizar essa economia não monetária”, destacou.

Já representando o Fórum Brasileiro de Economia Popular Solidária do Espírito Santo, Kézia Lince defendeu um modelo econômico baseado na valorização dos territórios e dos saberes populares. “A cultura é a mãe de todas as atividades econômicas que a gente conhece. Tudo parte do saber fazer e da vivência dos povos e dos territórios”, afirmou.

Fazendo um contraponto entre os segmentos da economia, o diretor da Secretaria Nacional de Economia Popular e Solidária, Sérgio Godói, destacou que a economia solidária se estrutura a partir da autogestão, do cooperativismo e da solidariedade. Segundo ele, esses princípios dialogam diretamente com a Cultura Viva na construção de novas formas de trabalho e financiamento. “Créditos solidários, bancos cooperativos e bancos comunitários podem oferecer crédito em outra lógica”, disse.

O debate também abordou experiências de moedas sociais e circuitos econômicos culturais. O articulador cultural Alex Barcelos defendeu a soberania cultural como parte da soberania nacional e apresentou experiências de circulação de moedas sociais em eventos culturais.

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Formação e políticas públicas culturais

Em seguida, o público participou do “Jogo da Escult”, atividade formativa promovida pela Escola Solano Trindade de Cultura e Economia Criativa do MinC. A dinâmica interativa utilizou o formato de um tabuleiro humano inspirado no “Sorte ou Revés” para abordar temas ligados à economia criativa e às políticas públicas culturais.

Durante a atividade, os participantes responderam perguntas sobre Cultura Viva, redes colaborativas, empreendedorismo criativo e mecanismos de incentivo à cultura. Os vencedores ganharam consultorias gratuitas em áreas como gestão de projetos culturais, prestação de contas, jurídico e comunicação social. A iniciativa reforçou o papel da Escult como parceira estratégica no desenvolvimento institucional da rede, contribuindo para a excelência na gestão e para o fortalecimento das capacidades técnicas dos agentes culturais.

Teia Nacional

A 6ª Teia Nacional dos Pontos de Cultura reúne agentes culturais, coletivos, mestres e mestras das culturas populares, povos tradicionais, representantes da sociedade civil e gestores públicos de todas as regiões do Brasil.

O evento é uma realização do Ministério da Cultura, do Governo do Estado do Espírito Santo, da Prefeitura de Aracruz e da Comissão Nacional dos Pontos de Cultura (CNPdC), em parceria com o Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes), o Sesc, Unesco e o programa IberCultura Viva.

Fonte: Ministério da Cultura

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