MinC aponta caminhos para o futuro do audiovisual brasileiro no Rio2C

Foto: Felipe Torres

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Como transformar o audiovisual em um dos motores do desenvolvimento econômico e cultural do Brasil na próxima década? Essa foi a pergunta central de dois debates promovidos pelo Ministério da Cultura (MinC) na manhã desta quarta-feira (27), no Rio2C 2026. Realizadas no palco Story Village e na sala MinC Conecta, as mesas “Construindo a Próxima Década de Crescimento do Audiovisual Brasileiro” e “Arranjos Regionais: como a cooperação entre estados fortalece o audiovisual brasileiro” apontaram caminhos para um setor mais robusto, descentralizado e conectado às transformações produtivas do país.

Para a secretária do Audiovisual do MinC, Joelma Gonzaga, o momento é de consolidar uma política de longo prazo para o setor, capaz de ampliar a produção, fortalecer empresas brasileiras e garantir acesso da população ao cinema nacional. “Estamos construindo uma visão de futuro para o audiovisual brasileiro, pensando em sustentabilidade econômica, circulação, formação de público e fortalecimento das capacidades regionais”.

Os debates reuniram representantes do MinC, Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Agência Nacional do Cinema (Ancine), gestores estaduais e profissionais do setor audiovisual para discutir desde planejamento industrial e financiamento até mecanismos de cooperação entre estados e interiorização do acesso à produção audiovisual brasileira.

Audiovisual entra na agenda industrial do país

No primeiro painel da manhã, representantes do Governo Federal defenderam a inclusão definitiva do audiovisual nas estratégias de desenvolvimento econômico do Brasil, especialmente no âmbito da Nova Indústria Brasil (NIB), política industrial do governo federal lançada em 2024.

A discussão também dialogou com a elaboração do novo Plano de Diretrizes e Metas do Audiovisual Brasileiro (PDM 2025–2035), instrumento que deverá orientar as políticas públicas do setor nos próximos anos. A diretora do Departamento de Comércio e Serviços do MDIC, Adriana de Azevedo Silva Teixeira, destacou que o audiovisual passou a ser compreendido como cadeia produtiva estratégica, capaz de movimentar emprego, inovação e competitividade internacional. “O audiovisual gera renda, mobiliza serviços, tecnologia e conhecimento. Quando falamos de política industrial, estamos falando também da capacidade do Brasil de produzir conteúdo, circular sua cultura e disputar mercados globais”.

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Representando o BNDES, o superintendente de Desenvolvimento Produtivo e Inovação, João Paulo Pieroni, ressaltou a importância de ampliar instrumentos financeiros voltados ao setor, combinando fomento público, inovação tecnológica e fortalecimento empresarial. Segundo ele, o desafio da próxima década é construir um ambiente capaz de garantir estabilidade para o crescimento do audiovisual brasileiro. “Precisamos criar condições para que empresas cresçam, inovem e consigam competir em um ambiente internacional cada vez mais complexo. O audiovisual é também uma indústria de conhecimento”.

Tela Brasil e expansão do parque exibidor

Ao encerrar a primeira mesa, Joelma Gonzaga destacou ações do Ministério da Cultura voltadas à democratização do acesso ao audiovisual, como o fortalecimento do Parque Exibidor Brasileiro e o lançamento da plataforma pública de streaming Tela Brasil, voltada à difusão do audiovisual nacional.

A iniciativa busca ampliar o acesso da população a filmes, séries e produções independentes brasileiras, especialmente em territórios historicamente excluídos dos circuitos comerciais. “É preciso garantir que as pessoas tenham acesso ao conteúdo brasileiro, reconheçam suas histórias e possam se ver na tela”.

Arranjos Regionais ampliam presença do audiovisual fora do eixo Rio–São Paulo

Na segunda mesa do dia, o debate se voltou para um dos principais instrumentos de nacionalização do setor: os Arranjos Regionais do Audiovisual, mecanismo de cooperação federativa que reúne estados e municípios para financiar conjuntamente a produção audiovisual local.

O modelo funciona por meio de cofinanciamento entre entes públicos e governo federal, permitindo ampliar investimentos e fortalecer cadeias produtivas em diferentes regiões do país. Na prática, estados e municípios aportam recursos próprios, que são complementados por investimentos federais, ampliando a capacidade de financiamento e interiorização do audiovisual.

A política vem ganhando escala nos últimos anos. Atualmente, os Arranjos Regionais mobilizam R$ 520 milhões em investimentos, distribuídos entre 41 arranjos, envolvendo 24 estados e 17 municípios, fortalecendo a produção audiovisual em territórios historicamente menos contemplados pelos mecanismos de fomento.

Representando o MinC, a diretora de Formação e Inovação da Secretaria do Audiovisual, Milena Evangelista, destacou que os Arranjos Regionais ajudam a enfrentar desigualdades históricas de concentração de recursos. “O audiovisual brasileiro não pode continuar concentrado em poucos territórios. Os arranjos regionais criam uma lógica cooperativa que fortalece capacidades locais e reconhece as diferentes vocações do país”.

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A coordenadora-geral de Governança Audiovisual do MinC, Ana Paula Sylvestre, explicou que a política permite articulação entre estados, municípios e setor produtivo, favorecendo planejamento de longo prazo e fortalecimento institucional. Segundo ela, além do financiamento direto, os Arranjos Regionais ajudam a estruturar ecossistemas locais do audiovisual, envolvendo formação, circulação, festivais, redes de exibição e fortalecimento das produtoras independentes.

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Foto: Felipe Torres

Ceará se consolida como referência

Entre os exemplos apresentados, o Ceará apareceu como caso de destaque na consolidação de uma política pública contínua para o audiovisual. A secretária da Cultura do Ceará, Gecíola Fonseca, destacou que o fortalecimento do setor no estado resulta de investimentos permanentes, formação profissional, políticas territoriais e integração entre diferentes instrumentos de financiamento. Segundo ela, a continuidade das políticas permitiu consolidar um ambiente produtivo capaz de impulsionar filmes, produtoras e profissionais do audiovisual cearense dentro e fora do Brasil. “É preciso garantir política pública permanente, formação, circulação e financiamento para que o setor amadureça”.

Participaram ainda do debate a diretora criativa da Odun Filmes, Viviane Ferreira, e o gerente de Desenvolvimento de Mercado da Ancine, Guilherme Bomfim, que destacaram a importância de fortalecer mercados locais e ampliar mecanismos de circulação para produções independentes.

Os debates do segundo dia do Rio2C apontaram um consenso: o futuro do audiovisual brasileiro passa por planejamento de longo prazo, fortalecimento industrial, cooperação federativa e ampliação do acesso da população à produção nacional. Mais do que fomentar filmes, o desafio agora é consolidar um setor sustentável, diverso e presente em todo o território brasileiro. A programação do segundo continua na sala MinC Conecta e, para conferi-la na íntegra, acesse aqui.

Fonte: Ministério da Cultura

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