O secretário-executivo adjunto do Ministério da Cultura (MinC), Cassius Rosa, e a secretária do Audiovisual, Joelma Gonzaga, cumpriram, nesta quinta-feira (18), em Xangai, na China, uma agenda voltada ao fortalecimento da cooperação audiovisual entre os dois países. As atividades incluíram visitas técnicas ao Shanghai Media Group (SMG) e à ByteDance, além da exibição do filme brasileiro de animação Papaya, realizada como parte da programação da Mostra.
A agenda integra as ações do Ano Cultural Brasil-China, iniciativa conjunta dos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Xi Jinping para ampliar as relações culturais entre os dois países. Coordenada pelo Ministério da Cultura, em parceria com o Ministério das Relações Exteriores, o Ministério do Turismo e o Gabinete da Presidência da República, a missão busca abrir novas frentes de diálogo, negócios e intercâmbio para o audiovisual brasileiro.
No Shanghai Media Group, a comitiva brasileira foi recebida por Wu Qian, vice-presidente do grupo; Mr. Zheng Li, diretor-adjunto do Departamento de Comunicação Internacional; Ms. Lu Weiwei, diretora-adjunta do Departamento de Programação; Mr. Tao Qiushi, diretor-adjunto da SMG International; Mr. Ling Chen, gerente-geral adjunto da SMT; e Ms. Zhou Yu, gerente-geral da Wings Media.
Durante o encontro, foram apresentadas áreas de atuação do SMG, que reúne operações em produção de notícias, documentários, reportagens de eventos esportivos, animação, telenovelas, turismo, apresentações culturais e soluções de arte e tecnologia. A agenda também abriu espaço para o debate sobre possibilidades de cooperação com o Brasil em produção, distribuição, inovação tecnológica e circulação de conteúdos.
Cassius Rosa destacou que a aproximação entre Brasil e China no campo cultural ganha uma nova etapa com o audiovisual. “O Ano Cultural Brasil-China já é um sucesso com iniciativas na área de música, museus e agora com a área do audiovisual. Queremos, através desse intercâmbio cultural, estreitar cada vez mais a relação entre os dois países”, afirmou.
Ele também ressaltou o papel da cultura como instrumento de diálogo entre os povos. “A cultura é uma força concreta de convivência e harmonia, de promoção da paz social e do progresso humano”, disse.
A delegação reúne representantes do Governo do Brasil, instituições públicas e privadas e profissionais de diferentes elos da cadeia audiovisual, incluindo produtores, distribuidores, atores, diretores e agentes de mercado. Também participaram das agendas representantes da Embratur, da ApexBrasil e da RioFilme, entre eles Leonardo Edde, que acompanhou as discussões sobre novas possibilidades de cooperação, circulação de obras e uso de tecnologias aplicadas à produção audiovisual.
O presidente da RioFilme apresentou a atuação da empresa no fomento ao ecossistema audiovisual do Rio de Janeiro, com iniciativas voltadas ao cinema, aos games e à animação. Ele enfatizouou que, em 2026, a RioFilme lançará uma linha de investimento para coproduções internacionais minoritárias de empresas cariocas e defendeu novas possibilidades de cooperação com a maior cidade chinesa. “Queria propor que a gente pudesse estudar um fundo conjunto de investimentos entre a RioFilme e a SMG ou Xangai”, afirmou.
Segundo Cassius Rosa, o Brasil busca estabelecer parcerias estratégicas para o desenvolvimento de novas produções, a ampliação do acesso a tecnologias e a circulação de conteúdos. “O Brasil busca estabelecer parcerias estratégicas para o desenvolvimento de novas produções e o acesso a novas tecnologias”, afirmou.
O secretário-executivo adjunto também lembrou que, em 2024, foi firmado um memorando de entendimento entre a Empresa Brasil de Comunicação (EBC) e o Shanghai Media Group. Além disso, acordos de cooperação voltados ao setor audiovisual avançam em tramitação no Congresso Nacional.
“Sabemos que essa é a primeira etapa de uma longa jornada, e esperamos contar com a experiência do Shanghai Media Group para nos ajudar nesse caminho”, disse Cassius Rosa.
Para a secretária do Audiovisual, Joelma Gonzaga, a cooperação com a China responde a um interesse crescente do setor brasileiro. “O interesse do profissional brasileiro, do setor brasileiro do audiovisual em coproduzir com a China tem sido bastante fomentado pelo governo brasileiro”, destacou.
Joelma ressaltou ainda o potencial de intercâmbio de conteúdos entre os dois países. “Há um interesse muito grande. A gente tem uma gama de conteúdos, com uma média de 300 filmes por ano sendo lançados, que nos interessa muito trazer para a China, assim como levar conteúdos chineses para o Brasil”, afirmou.
A secretária citou ainda o campo dos games como uma das frentes estratégicas da agenda bilateral. “No Brasil, temos uma lei de jogos eletrônicos bastante robusta e inovadora, e nós estamos olhando muito para o mercado chinês. O Ministério da Cultura estará aqui de novo para fomentar a parceria entre o setor de games dos dois países”, disse.
Para Joelma Gonzaga, a aproximação entre os dois mercados tem potencial para gerar obras de impacto global. “Acredito que a cinematografia da China é muito potente, assim como a do Brasil é muito potente. A cooperação entre essas duas potências mundiais do audiovisual vai presentear o mundo com obras audiovisuais que são universais e, ao mesmo tempo, grandes retratos da cultura local, tanto da China como do Brasil”, afirmou.
O Tela Brasil também foi apresentado ao grupo de representantes chineses, que pediu detalhes da plataforma 100% digital e gratuidade lançada pelo governo brasileiro.
A vice-presidente do SMG, Wu Qian, pontuou a centralidade da cultura na atuação do grupo e apontou possibilidades concretas de cooperação com o Brasil. “O setor audiovisual é o setor mais dinâmico, mais rico entre todos os setores culturais”, afirmou. “Podemos ter muitos projetos ou setores para fazer cooperação com o Brasil”.
Wu Qian também apresentou a estrutura tecnológica da instituição. “Temos uma equipe de mais ou menos mil pessoas, especificamente de tecnologia. Eles prestam serviço técnico para nossos próprios projetos e parceiros, e participaram de muitos eventos internacionais, incluindo os Jogos Olímpicos”, completou.
Após a visita ao SMG, a delegação seguiu para a ByteDance, empresa chinesa de tecnologia responsável por plataformas globais como o TikTok. Participaram da agenda Cassius Rosa, Joelma Gonzaga, Leonardo Edde, da RioFilme, Carlos Pan, da ApexBrasil, Nelson Sato, da Sato Company, e outros integrantes da comitiva brasileira.
Na oportunidade, a delegação conheceu produtos de inteligência artificial da BytePlus, braço de tecnologia da ByteDance. Foram apresentadas ferramentas voltadas à geração de imagens e músicas, soluções de IA aplicadas a diferentes setores, demonstrações com robótica e recursos tecnológicos que podem dialogar com a produção audiovisual, a economia criativa e novas formas de interação com o público.
Em reunião técnica com Nathan Ji, diretor de Parcerias Globais da BytePlus, a empresa detalhou sua evolução ao longo das transformações tecnológicas recentes, passando pelo ambiente dos computadores pessoais, pela expansão do mobile e pela atual centralidade da inteligência artificial. A apresentação também abordou a estrutura tecnológica da companhia, sua capacidade de processamento e o uso de soluções de IA em escala global.
Cassius Rosa destacou a implantação da TV 3.0 no Brasil, padrão que busca ampliar a interatividade entre público e conteúdos audiovisuais. “Estamos discutindo a implantação do padrão de TV 3.0 no Brasil, que busca uma interação total entre o usuário e a produção audiovisual”, afirmou.
O secretário-executivo adjunto também apontou o potencial das ferramentas apresentadas para apoiar processos criativos e produtivos no setor. “Produtos desenvolvidos por eles tendem a facilitar muito o processo de desenvolvimento dos projetos audiovisuais”, disse.
As conversas abordaram o uso de inteligência artificial na produção de cenas, na criação de conteúdos, em correções técnicas, em soluções para distribuição e em novas possibilidades para a indústria audiovisual. A delegação brasileira também apresentou perguntas sobre licenciamento de conteúdos latino-americanos para treinamento de modelos de IA, oportunidades de investimento no Brasil e aproximação com startups, produtoras e empresas brasileiras de audiovisual e games.
Representantes da ApexBrasil convidaram a BytePlus a conhecer eventos no Brasil, como o BIG Festival, voltado aos setores de games, inovação e audiovisual. A empresa chinesa demonstrou interesse em ampliar sua presença na América Latina e em compreender melhor o mercado brasileiro.
“O Brasil é o quinto em usuários ativos de TikTok no mundo e o primeiro em e-commerce na América Latina”, avançou Cassius.
Papaya emociona público em sessão com sala cheia
A programação do dia também contou com a exibição do filme brasileiro de animação Papaya, no Palace Cinema, em Xangai. A sessão teve sala cheia e foi seguida de debate com o público, que demonstrou entusiasmo e interesse pela produção brasileira.
Para Lina Távora, que acompanhou a atividade, a recepção do filme evidenciou a força do audiovisual como linguagem universal. “Imagine a cena: você está em uma sala de cinema em Xangai, na China, e de repente, depois da exibição de um filme brasileiro, você avista uma criança levantando a mão empolgada para fazer uma pergunta para a diretora e a produtora do filme. Esse é o impacto do audiovisual. Uma comunicação que vai além da língua, do país e das fronteiras. Foi muito lindo ver a sessão do filme de animação Papaya, em uma sala cheia, com pessoas de todas as idades”, relatou.
A exibição reforçou a proposta da missão brasileira de ampliar a presença do audiovisual nacional no mercado chinês, aproximando realizadores, empresas, instituições e públicos dos dois países por meio da cultura.
As agendas em Xangai consolidam a etapa audiovisual do Ano Cultural Brasil-China e apontam novos caminhos para cooperação em coprodução, distribuição, inovação tecnológica, games, inteligência artificial e circulação de obras brasileiras e chinesas.
A missão também dialoga com as ações do MinC para ampliar o acesso da população brasileira à produção audiovisual nacional, como a plataforma Tela Brasil (https://telabrasil.cultura.gov.br/). Com acesso gratuito por meio do login Gov.br, a plataforma estreia inicialmente na versão web, com aplicativos para Android e iOS previstos para os próximos 30 dias. O catálogo inicial reúne 555 obras produzidas entre 1910 e 2025, incluindo filmes premiados, documentários históricos, produções infantis, obras ligadas à música brasileira e títulos reconhecidos em festivais nacionais e internacionais.

- .
Fonte: Ministério da Cultura



























