MinC participa do VII Seminário Internacional da Chapada do Araripe como Patrimônio da Humanidade

Foto: Fundação Casa Grande

publicidade

Cultura, patrimônio e natureza. Com esse enlace, o Ministério da Cultura (MinC) participou, entre os dias 21 e 23 de maio, no Cariri Cearense, do VII Seminário Internacional da Chapada do Araripe como Patrimônio da Humanidade. Na Fundação Casa Grande, em Nova Olinda (CE), o presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Deyvesson Gusmão; o secretário de Formação Artística e Cultural, Livro e Leitura (Sefli) do MinC, Fabiano Piúba; e a coordenadora-geral de Sistemas de Informação Museal do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), Renata Passos, cumpriram diversas agendas na região. O destaque do evento foi a apresentação dos detalhes da candidatura da Chapada a Patrimônio da Humanidade, além do anúncio de cursos de arqueologia social e de formação para agentes culturais e ambientais.

“Estar aqui na Chapada do Araripe é entrar nessa rede de afeto. Esse lugar tem a capacidade de mobilizar, fazendo com que toda e qualquer causa da região vire uma causa também nossa. Preciso dizer que estamos aqui reafirmando o nosso compromisso de dar institucionalidade a esse processo de reconhecimento da Chapada do Araripe como patrimônio mundial”, afirmou Deyvesson Gusmão 

Para ele, a candidatura é uma pauta prioritária para o presidente Lula e para a ministra da Cultura, Margareth Menezes. “Estamos comprometidos, apesar de o processo ser complexo e desafiador. Mas essa rede de instituições e de pessoas torna tudo muito mais factível e fácil de operar, a partir da contribuição de cada instituição, de cada pesquisador, de cada pessoa e de cada órgão governamental que está aqui”, frisou.  

Deyvesson ainda explicando a visão do órgão sobre a iniciativa: “Geralmente, quando se pensa em política pública, pensa-se em resolver problemas públicos. O que tenho cada vez mais convicção é de que o eventual reconhecimento da Chapada do Araripe como patrimônio mundial não é uma política pública para resolver um problema, mas para evidenciar uma solução pública. A Chapada do Araripe é um exemplo de conservação, salvaguarda e proteção do patrimônio cultural. Temos que usar esse processo para evidenciar a região e toda a cultura, o saber e o conhecimento que aqui existem”, ressaltou. 

Leia Também:  Ouvidorias públicas debatem inovação e escuta qualificada em seminário nacional realizado em BH

Construção coletiva 

seminário chapada do araripe
Foto: Fundação Casa Grande

Acompanhando o processo desde o início, quando ainda era titular da pasta de Cultura no Ceará, o secretário da Sefli, Fabiano Piúba, lembrou que a candidatura foi proposta inicialmente pela Fundação Casa Grande, em colaboração com a Universidade Regional do Cariri (Urca), a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (Fecomércio) e o Serviço Social do Comércio (Sesc). O projeto passou por análise técnica do Conselho Estadual, recebeu parecer favorável dos conselheiros e foi aprovado em votação, marcando um passo crucial. “Com a retomada do MinC, a visita da ministra Margareth Menezes em 2024 e a presença do presidente do Iphan, a candidatura da Chapada do Araripe foi compreendida e inserida na lista indicativa brasileira junto ao instituto”, apontou.  

“O objetivo agora é receber a chancela definitiva. Este processo exigirá uma importante mobilização social e um esforço intelectual significativo para a elaboração do dossiê, conforme o ‘mapa de navegação’ já apresentado”, frisou o secretário. Em sua fala final, o gestor trouxe uma reflexão citada pelo jovem Pedro Gomes, de 12 anos, que enfatizou que “o futuro é ancestral”. Piúba complementou: “O futuro é agora e é coletivo”, sugerindo a importância da colaboração e da conexão com as raízes, com a cultura e com a natureza. 

Ele anunciou duas ações de formação que estão sendo realizadas pela Sefli em parceria com institutos federais, a Universidade Federal do Ceará (UFC) e a Universidade Federal do Cariri (UFCA). A primeira é a Formação para agentes e gestores culturais e ambientais, voltada para 200 profissionais, com cursos híbridos de 180 horas que promovem a diversidade cultural, a justiça socioambiental e o fortalecimento da integração entre as políticas públicas de cultura e meio ambiente. A segunda é o curso de Pós-graduação Lato Sensu em Arqueologia Social e Inclusiva, que apoiará a formação especializada de pesquisadores e agentes culturais por meio de uma proposta interdisciplinar. O curso articula arqueologia, patrimônio cultural, meio ambiente e desenvolvimento territorial sustentável, promovendo a inclusão social e o protagonismo comunitário no território do Cariri. 

Parcerias 

Citando a frase do escritor Guimarães Rosa, “o sertão é do tamanho do mundo”, o diplomata Rafael Piccinini Machado, gestor do Instituto Guimarães Rosa (IGR) do Ministério das Relações Exteriores (MRE), explanou sobre a universalidade da região. “As muitas relações, histórias e afetos que temos aqui são verdadeiramente universais e temos que levá-las para o mundo. Tudo isso é muito importante, já que a convenção de 1972 fala dessa universalidade. Na Chapada, temos os três pilares do valor excepcional, e temos que dar muito destaque a isso. Já temos essa base no dossiê, agora é comprovar como atendemos a esses critérios, cumprir as condições mínimas de integridade e autenticidade dos bens naturais e culturais e, finalmente, dispor de um programa de proteção”, acrescentou o diplomata. 

Leia Também:  Ministério das Comunicações leva inclusão e letramento digital com aulas de informática básica para indígenas no Rio Grande do Sul

A coordenadora-geral do Ibram, Renata Passos, destacou o valor das iniciativas comunitárias locais. “Foi uma grande alegria para o Ibram participar da inauguração do Museu Orgânico Sítio Escola Zé Artur, um espaço que nasce da memória, dos saberes e da força da comunidade. Mais do que um museu, a experiência construída pelo Mestre Zé Artur representa um exemplo vivo de cuidado com a terra, de convivência harmoniosa com o semiárido e de valorização das histórias e conhecimentos que formam a identidade do Cariri cearense. Em tempos em que tantas tradições precisam ser preservadas, iniciativas como esta reafirmam a importância do apoio do poder público e das parcerias institucionais na construção de políticas que garantam o direito à memória, à cultura e ao reconhecimento dos mestres e mestras de nossos territórios”, apontou.  

“A poesia da Chapada são os seus biomas e as suas culturas; a poesia e a arte brasileira estão aqui. Esta Chapada se espalha, essa paisagem vai se encontrando com os babaçus e com os rios. Você vai vendo que existe um mapa biológico do bioma brasileiro, e ele tem um telhado. Tudo isso é patrimônio”, finalizou Alemberg Quindins, fundador da Fundação Casa Grande. 

Os debates do seminário foram transmitidos online e estão disponíveis aqui.

Fonte: Ministério da Cultura

COMENTE ABAIXO:

Compartilhe essa Notícia

publicidade

publicidade

publicidade

publicidade