O Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), por meio da Secretaria Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (SNDCA), realiza nos dias 22 e 23 de junho, o Percurso Imersivo do Projeto Sankofa na Socioeducação, em Brasília (DF), reunindo pesquisadores, ativistas, além de familiares dos adolescentes em cumprimento de medidas socioeducativas de diferentes regiões do país. A agenda faz parte da programação do evento “Evidências que Protegem”.
A iniciativa tem como objetivo fortalecer o enfrentamento do racismo no sistema socioeducativo brasileiro, promovendo a formação continuada, reflexão crítica, produção de conhecimento e transformação das práticas institucionais no atendimento a adolescentes em cumprimento de medidas socioeducativas.
Para a coordenadora-geral de Políticas Públicas Socioeducativas da SNDCA, Lívia Vidal, “a consolidação do Projeto Sankofa, a partir do Percurso Formativo em parceria com as Escolas Estaduais de Socioeducação do Rio de Janeiro e de Alagoas, demonstra a maturidade e o compromisso contínuo do MDHC com uma transformação estrutural na socioeducação”, disse.
“Celebrar a imersão desta primeira turma de especialistas em letramento racial e antipunitivismo é, fundamentalmente, colher os frutos de um investimento no coração do sistema: as pessoas que o operam e refletem sobre o Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (Sinase). Olhar para o passado para ressignificar o presente – que é a essência de Sankofa – nos permite qualificar o atendimento socioeducativo, garantindo que a responsabilização caminhe de mãos dadas com a garantia de direitos, a superação do racismo institucional e a construção de horizontes reais de futuro para os nossos jovens”, analisou.
Projeto Sankofa
Considerando a importância de combater e enfrentar o racismo, seus impactos e consequência no âmbito do Sistema Socioeducativo, o MDHC realiza o Projeto Sankofa na Socioeducação: enfrentando e combatendo o racismo no Sinase.
O projeto tem o objetivo de qualificar a Política Nacional de Atendimento Socioeducativo, por meio de ações estratégicas para o enfrentamento e combate ao racismo no sistema, por meio da oferta de ações de formação continuada e qualificada sobre os impactos, efeitos e letramento racial para profissionais que atuam na área.
Sankofa na Socioeducação
Sankofa é um ideograma africano que representa a volta para adquirir conhecimento do passado, a sabedoria e a busca da herança cultural dos antepassados para construir um futuro melhor.
Assim, pensar a filosofia Sankofa na Socioeducação é pensar na superação de trajetórias marcadas pela ausência de políticas públicas sociais e, ao mesmo tempo, na execução de medidas socioeducativas alinhadas às garantias dos direitos humanos e fundamentais, assegurando um futuro melhor para cada adolescente e jovem atendido pelo sistema socioeducativo.
Programação
Nesta segunda-feira (22), a programação foi dedicada à construção de um altar coletivo conduzida pela coordenadora-geral de Políticas Públicas Socioeducativas, Lívia Vidal. A dinâmica convidou cada participante a compartilhar objetos e referências pessoais que representassem sua trajetória, sua conexão com a socioeducação e o compromisso com o enfrentamento ao racismo.
Na sequência, a pesquisadora e professora do Programa de Pós-Graduação em Sociologia da Universidade Federal Fluminense (UFF), Juliana Vinuto, conduziu a dinâmica sobre os desafios da responsabilização de adolescentes que cometem atos infracionais sob uma perspectiva antirracista. O primeiro dia se encerrou com a apresentação de um panorama geral do percurso formativo, incluindo a avaliação das etapas já realizadas e os desafios para a continuidade do projeto.
A programação segue nesta terça-feira (23), quando os participantes pactuarão encaminhamentos para as próximas fases do percurso formativo, consolidando propostas e estratégias voltadas ao fortalecimento da agenda antirracista no sistema socioeducativo brasileiro.
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Texto: P.V.
Edição: F.T.
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