O Agosto Lilás, mês dedicado à conscientização e ao enfrentamento da violência doméstica contra a mulher, reforça a importância da atuação integrada das áreas de assistência social, segurança pública e atendimento às vítimas. Em Mato Grosso, entre as iniciativas desenvolvidas nessa área está o SER Família Mulher. A proposta foi discutida com o Governo do Estado durante o período em que Virginia Mendes atuou voluntariamente como primeira-dama de Mato Grosso, com foco no atendimento a mulheres em situação de vulnerabilidade e vítimas de violência doméstica com medida protetiva.
Entre as ações está o Auxílio Moradia, no valor de R$ 600 mensais. A medida considera uma das dificuldades enfrentadas por mulheres que buscam se afastar de situações de violência: a falta de recursos para manter a moradia e as despesas básicas, especialmente quando há filhos.
O atendimento às beneficiárias também envolve acompanhamento psicossocial, capacitação por meio do SER Família Capacita e encaminhamento ao mercado de trabalho, conforme as necessidades identificadas pela rede de atendimento.
Segundo dados informados pela Secretaria de Estado de Assistência Social e Cidadania (Setasc), 3.832 mulheres foram atendidas pelo SER Família Mulher – Auxílio Moradia, com R$ 17,6 milhões destinados à iniciativa. Em Cuiabá, são 985 mulheres com medida protetiva e, em Várzea Grande, 212.
Para Virginia Mendes, o enfrentamento à violência deve considerar as condições necessárias para que a mulher possa deixar uma situação de agressão. “O enfrentamento à violência doméstica precisa garantir que a mulher tenha proteção e condições para recomeçar. O acesso à moradia, ao atendimento psicossocial, à capacitação e ao trabalho pode fazer diferença nesse processo. O mais importante é fortalecer a rede de proteção e garantir que nenhuma mulher precise permanecer em uma situação de violência por falta de apoio.”
Outra iniciativa desenvolvida nesse contexto foi a Expedição SER Família Mulher. Durante as atividades realizadas nos municípios, profissionais da segurança pública e assistentes sociais dos polos e das cidades participantes foram capacitados para o atendimento às vítimas de violência doméstica.
A capacitação buscou preparar os profissionais para o acolhimento, a orientação e o encaminhamento das mulheres dentro da rede de proteção. Para dar suporte às atividades da Expedição, foram investidos R$ 984 mil na aquisição de duas vans destinadas ao deslocamento das equipes.
A experiência do SER Família Mulher também foi considerada na elaboração de um relatório de âmbito federal relacionado às políticas de enfrentamento à violência contra a mulher. Na ocasião, o trabalho teve como relatora a então senadora Margareth Buzetti.
Entre as mulheres atendidas está Letícia Gabrielle Pereira dos Santos, de 30 anos, mãe de quatro filhos e vítima de violência doméstica. Após ser submetida a medida protetiva, ela passou a receber R$ 600 mensais. Segundo Letícia, o recurso ajudou em despesas que estavam entre suas principais preocupações.
“O que tirava o meu sono era o alimento e o dinheiro para pagar o aluguel e os medicamentos para os meus filhos, que não podem faltar. Tenho 30 anos, tenho quatro filhos e passei por muitas dificuldades. Com o programa, a gente pode se reerguer, levantar e poder ter comida na mesa com o SER Família. Eu mesma sou prova viva de como esse apoio ajudou.”
Denuncie. Procure ajuda. A rede de proteção existe e está pronta para te acolher. Ligue 180, procure a Delegacia da Mulher ou busque o CRAS mais próximo. Sua vida vale mais que qualquer silêncio.
Agosto Lilás é um alerta, mas o combate à violência contra a mulher deve ser diário.























