A 6ª Teia Nacional dos Pontos de Cultura, realizada pelo Ministério da Cultura (MinC) em Aracruz, no Espírito Santo, promoveu, até a tarde deste sábado (23), a reciclagem de 1,2 tonelada de material gerado durante o evento. Isso representa 70% de tudo o que foi produzido pelo público desde o primeiro dia da atividade, que ocorre desde segunda-feira (18), no Sesc Praia Formosa. Além disso, os outros 30% do total de resíduos, que são os rejeitos do lixo triado, terão destinação ambientalmente adequada, em aterros sanitários registrados – destino considerado seguro para descarte desses resíduos.
Os dados apresentados fazem parte dos resultados preliminares do Plano de Sustentabilidade da Teia, voltado à redução, triagem, rastreabilidade e destinação correta dos materiais descartados ao longo da programação. O trabalho, promovido por duas cooperativas contratadas e que resultará em renda para as trabalhadoras envolvidas, promoveu a triagem de 100% dos coletores da área da 6ª Teia.
Durante visita ao posto de reciclagem neste sábado, a ministra da Cultura Margareth Menezes reforçou a importância do trabalho realizado, justamente durante a edição de 2026 da Teia, que tem como lema Pontos de Cultura pela Justiça Climática.

- Foto: Filipe Araújo/ MinC
“A gente agradece o trabalho de vocês, que é muito importante. A gente sabe também que o presidente Lula tem uma sensibilidade com esse tema e sempre dá um exemplo para nós. A gente quer cada vez mais fortalecer essa visão de vida, uma visão de mais qualidade também para todos. O trabalho que vocês fazem realmente tem significado, porque cada vez mais a gente precisa aprender a reciclar”, afirmou a ministra Margareth a trabalhadoras da cooperativa Recicle Aracruz, contratada como responsável técnica pela gestão dos resíduos da 6ª Teia.
“A pauta da sustentabilidade precisa ser, de fato, internalizada na produção cultural. Por isso, a Teia teve como diretriz construir um processo que olhasse para os resíduos, garantisse a destinação correta desse material, envolvesse os núcleos de reciclagem da cidade e contasse com uma consultoria específica para orientar esse trabalho”, afirma a secretaria de Cidadania e Diversidade Cultural, Márcia Rollemberg.
Ela defende que a experiência da 6ª Teia – que segue até o último dia do evento – contribuirá para a criação de protocolos voltados à sustentabilidade em eventos culturais. “Eu acredito que a gente tem que fazer um protocolo Teia, um protocolo Cultura Viva com relação aos Pontos de Cultura pela Justiça Climática, mas, principalmente, um protocolo de guia verde para a produção cultural. Essa aqui é uma grande experiência nesse sentido. Vai dar exemplo para muita gente e para a gente também aprender a fazer as coisas com muita sustentabilidade”, completa.
Reciclagem
Para entregar o trabalho contratado, a cooperativa Recicle Aracruz instalou um centro de triagem no Sesc Praia Formosa, onde tem recebido os materiais descartados nos coletores distribuídos pelo espaço do evento. Para Danielle Pedroza, presidente da Recicle Aracruz, a participação na 6ª Teia é uma oportunidade de apresentar ao público a importância social, ambiental e econômica da reciclagem. A associação atua há 11 anos no município, com coleta, separação e destinação correta dos materiais recicláveis, envolvendo 16 famílias.
“Foi uma oportunidade de fazer a separação e mostrar um pouco do nosso trabalho, que muitas pessoas ainda não conhecem e também não dão muito valor. O papelão, a garrafa PET, que para muitos é lixo, para nós é material que vai ser separado da forma adequada, destinado corretamente e transformado em renda”, afirma Danielle, que vê o trabalho realizado pela cooperativa como “uma chancela do Governo Federal” ao serviço realizado pela cooperativa. “É a valorização e o reconhecimento da Recicle Aracruz, com um trabalho tão importante, que é a reciclagem de um evento que fala sobre a temática do clima”, afirmou.
Segundo ela, depois da triagem, os materiais são prensados em fardos, vendidos com emissão de nota fiscal, e o valor arrecadado é dividido entre as trabalhadoras de acordo com os dias de trabalho de cada uma. “É uma oportunidade de passar para frente essa cultura da reciclagem e da sustentabilidade. O que para muita gente é lixo, para a gente gera renda, transforma vidas, cuida do ambiente e ajuda a garantir o futuro dos nossos filhos”, completa.
A atividade no evento também conta com acompanhamento da técnica de meio ambiente e responsável técnica da Recicle Aracruz, Fernanda Oliveira, reforçando o caráter técnico da triagem e da destinação dos resíduos durante o encontro.
Destinação de lonas de sinalizações
Outra frente do Plano de Sustentabilidade da Teia está voltada à economia circular. Materiais de descarte mais complexo, como lonas, PVC, plotagens, forrações e peças de sinalização visual, serão destinados à Criarte — Associação dos Artesãos de Barra do Riacho. Esses materiais, geralmente difíceis de reciclar por causa das cores, do peso, do transporte e do baixo retorno econômico, serão reaproveitados na produção de itens de longa duração, como sacolas, mochilas e outros produtos.
“Todas as lonas, que são muito difíceis de destinar, vão ser recebidas como matéria-prima para fazer outros produtos, como sacolas, mochilas e uma gama de produtos. Ou seja, ele para de ser descartado e vira um produto de longa duração”, explica Rodrigo Figueiredo, arquiteto, urbanista e consultor de sustentabilidade e gestão de resíduos contratado pelo MinC, em parceria com a Unesco, para elaborar o Plano e coordenar a ação durante a Teia.
Com isso, detalha Rodrigo, o material deixa de retornar rapidamente à natureza e passa a integrar uma cadeia de reaproveitamento produtivo, gerando trabalho, renda e novos usos. Para o consultor, essa é uma das dimensões mais importantes do processo: fazer com que os resíduos sejam compreendidos não como descarte sem destino, mas como parte de uma economia capaz de movimentar territórios.
“Acho que há uma falta de consciência de que esses sólidos têm endereço. E esses endereços fazem com que a economia rode. Se a gente colocar a questão social, há várias cooperativas que fazem esse acolhimento de pessoas trabalhadoras, com emprego digno, a partir dessas ações. Há uma cadeia por trás que muitas vezes é ocultada. Se ela fosse vista, acho que seria unanimidade que isso de fato vale a pena”, avalia.
Ao final do evento, a consultoria responsável pelo Plano de Sustentabilidade produzirá um relatório com os resultados da operação, indicando o que funcionou, os desafios encontrados e sugestões para próximas edições ou para outros eventos de grande porte. A proposta é transformar a experiência da 6ª Teia em um case de boas práticas, baseado em parâmetros técnicos como normas NBR e ISO, referências internacionais consolidadas desde as Olimpíadas de Londres.
De acordo com o consultor de sustentabilidade, todo o resíduo gerado passa, além da triagem, por uma pesagem, registro fotográfico e controle de rastreabilidade. Rodrigo destaca que as cooperadas possuem remuneração fixa, e não dependem apenas da venda do material por peso. “Esse material gera renda para a cooperativa. Todas as cooperadas têm um salário próprio. Não é só uma remuneração por parte do peso do que é coletado, o que dá uma dignidade maior ainda e profissionalismo à operação. E tudo isso vira novamente matéria-prima para a indústria”, acrescenta.
Teia Nacional
A 6ª Teia Nacional dos Pontos de Cultura reúne agentes culturais, coletivos, mestres e mestras das culturas populares, povos tradicionais, representantes da sociedade civil e gestores públicos de todas as regiões do Brasil.
O evento é uma realização do Ministério da Cultura, do Governo do Estado do Espírito Santo, da Prefeitura de Aracruz e da Comissão Nacional dos Pontos de Cultura (CNPdC), em parceria com o Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes), o Sesc, Unesco e o programa IberCultura Viva.
Fonte: Ministério da Cultura























