Margareth Menezes recebe título de Doutora Honoris Causa da Universidade Federal do Ceará

Foto: Filipe Araújo/MinC

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A ministra da Cultura, Margareth Menezes, recebeu, nesta sexta-feira (3), o título de Doutora Honoris Causa pela Universidade Federal do Ceará (UFC), durante cerimônia realizada na Concha Acústica da Reitoria, em Fortaleza. A honraria, a mais alta distinção concedida pela instituição, reconhece a contribuição da cantora, compositora, atriz e gestora cultural para as artes, a cultura brasileira, a educação, a democracia e a valorização das matrizes afro-brasileiras.

A concessão do título foi aprovada por unanimidade pelo Conselho Universitário da UFC, em sessão realizada no dia 24 de abril de 2026, seguindo os trâmites legais e estatutários da universidade. Com a homenagem, Margareth passa a integrar a galeria de personalidades reconhecidas pela instituição por trajetórias de relevância nacional e internacional.

Emocionada, a ministra agradeceu à Universidade Federal do Ceará e ressaltou o significado pessoal e coletivo da homenagem. “Receber o título de Doutora Honoris Causa da Universidade Federal do Ceará, a mais alta distinção concedida por esta instituição, nordestina como eu, é uma honra que me emociona profundamente”, declarou.

Ao relembrar sua trajetória, Margareth citou a infância na Península de Itapagipe, em Salvador, como filha de Dona Diva, costureira e doceira, e de seu Adelício, motorista. A ministra também recordou a formação em escola pública, o início no teatro, a descoberta da música e os caminhos abertos pela cultura popular, pelos blocos afro, pelos palcos, pelos terreiros, pelas festas e pelos mestres da tradição oral.

“Minha mãe e meu pai sempre acreditaram profundamente no valor do conhecimento. Na nossa casa, aprender era uma obrigação bonita”, contou. Para a ministra, a homenagem simboliza o encontro entre diferentes formas de saber. “A cultura nunca foi apenas entretenimento. Ela é memória. Ela é identidade. Ela é pensamento. Ela é uma forma de inteligência coletiva”, completou.

Durante o discurso, Margareth defendeu a indissociabilidade entre cultura e educação e reforçou o papel das universidades públicas na construção de um país mais democrático e igualitário. “É nossa responsabilidade garantir que a educação e a cultura não sejam privilégio de poucos, mas acessíveis a todos os brasileiros e brasileiras”, frisou.

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Primeira mulher negra a ocupar o cargo de ministra da Cultura, Margareth também relacionou a homenagem à luta por representatividade e reconhecimento das culturas afro-brasileiras. “Ser a primeira mulher negra a ocupar o cargo de Ministra da Cultura carrega um simbolismo profundo. Cada passo dado neste espaço decisório é uma celebração da diversidade e da representatividade”, afirmou.

O reitor da UFC, Custódio Almeida, destacou que o título de Doutora Honoris Causa ultrapassa a homenagem individual e expressa os valores que a universidade escolhe afirmar perante a sociedade. Em sua fala, ele ressaltou que o conhecimento também nasce nas ruas, nos palcos, nas comunidades, nos terreiros, nas festas populares, na memória coletiva e nas linguagens artísticas.

“A Universidade Pública brasileira amadureceu suficientemente para compreender que essas formas de conhecimento não competem entre si. Elas se completam. A ciência amplia nossa capacidade de compreender a realidade. A arte amplia nossa capacidade de senti-la”, assinalou o reitor.

Custódio Almeida também percorreu marcos da trajetória artística de Margareth, como a consolidação do Afropop Brasileiro, a projeção internacional de sua obra e o compromisso social de projetos como a Fábrica Cultural, em Salvador. Para ele, a homenagem reconhece uma artista cuja biografia também produz conhecimento. “Há mestres que ensinam diante de um quadro. Há mestres que ensinam em um laboratório. Há mestres que ensinam escrevendo livros. E há aqueles que ensinam respirando, criando, vivendo. Margareth pertence a essa última categoria”, expressou.

O pró-reitor de Cultura da UFC, Sandro Gouveia, saudou a ministra e afirmou que, a partir da cerimônia, a universidade também passa a ser sua casa. Segundo ele, a trajetória de Margareth dialoga com a missão da universidade por unir imaginação, memória, criação, compromisso público e transformação social.

“A arte também constrói futuros. Também a arte alarga o possível. A arte também nos ensina que a realidade não é apenas aquilo que herdamos, mas sobretudo aquilo que somos capazes de criar”, pontuou Sandro.

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O pró-reitor ainda associou a concessão do título ao Dia Nacional de Combate à Discriminação Racial, celebrado em 3 de julho. Para ele, a data amplia o simbolismo da homenagem ao reconhecer “uma mulher negra cuja trajetória afirma, pela arte, pela gestão e pela presença pública, a centralidade da cultura negra na formação do Brasil”.

Sandro também mencionou que a titulação de Margareth completa uma tríade de homenagens recentes da UFC, ao lado do senador e ex-ministro da Educação Camilo Santana e da ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, reunindo educação, meio ambiente e cultura como questões fundamentais para o futuro do país.

O secretário de Formação Artística e Cultural, Livro e Leitura do Ministério da Cultura (Sefli/MinC), Fabiano Piúba, também homenageou Margareth durante a cerimônia. Em sua fala, ele definiu a voz da ministra como ancestral e contemporânea, marcada pelo Afropop Brasileiro, pela força dos tambores, pela valorização das matrizes afro-brasileiras e pelo compromisso com a diversidade cultural do país.

Fabiano rememorou a atuação de Margareth à frente do Ministério da Cultura e salientou políticas e ações voltadas à reconstrução institucional da Pasta, à democratização do fomento, à articulação com universidades e ao fortalecimento de iniciativas de formação cultural em diferentes territórios brasileiros.

A cerimônia também evidenciou a parceria entre a UFC e o Ministério da Cultura. Durante o evento, foram citadas iniciativas como a construção da Política e do Plano de Cultura da universidade, a Rede Nacional de Escolas Livres de Formação Artística e Cultural, o Curso Nacional de Formação para Gestores e Agentes Culturais e Ambientais e ações desenvolvidas em diálogo com o Instituto Brasileiro de Museus (Ibram).

Ao encerrar sua fala, Margareth reafirmou o compromisso com políticas culturais inclusivas e transformadoras. “Saio daqui levando este título no coração, mas, sobretudo, levando renovada a certeza de que um país que investe em Educação e Cultura escolhe, todos os dias, acreditar no seu próprio futuro”, concluiu.

Fonte: Ministério da Cultura

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