Terminou nesta sexta-feira (17), em Brasília, a Oficina de Desenho Criativo de Produção do Programa CPLP Audiovisual, através de seu edital internacional. A atividade reuniu projetos brasileiros selecionados para a etapa de desenvolvimento e integra a retomada da participação do país na iniciativa da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), após seis anos.
Realizada com o apoio da Secretaria do Audiovisual (SAV), do Ministério da Cultura (MinC), a oficina ocorreu em formato híbrido, com participação presencial e online, e integrou a etapa formativa do programa, preparando os projetos para a fase de produção.
Realizadores e produtores apresentaram suas propostas, receberam orientações técnicas e avançaram no desenho criativo e no planejamento das obras.
“O cinema é uma arte coletiva, e o diálogo com outros profissionais é fundamental para entender o que ainda precisa amadurecer e fortalecer os projetos antes da realização”, destaca Sarah Danielle Barbosa, produtora de Roda Saia.
Consultoria e desenvolvimento
A oficina foi conduzida por profissionais com ampla trajetória no audiovisual brasileiro. Fabiano Maciel, diretor e roteirista de cinema e televisão, atua também como consultor de narrativas audiovisuais. Vânia Lima, produtora, roteirista e diretora, soma mais de 30 anos de experiência e é sócia-fundadora do Grupo Têm Dendê, com mais de 50 obras realizadas.
“Os encontros permitem olhar os projetos em todas as dimensões, do conteúdo à forma e à viabilidade, o que acaba transformando os filmes e abrindo novos caminhos para os realizadores”, afirma o orientador Fabiano Maciel.
Projetos brasileiros em desenvolvimento
Quatro produções participaram desta fase, nas linhas DOCTV (documentário para televisão) e FICTV (ficção para televisão):
Washington Novaes — memórias de um jornalista de plantão (Goiânia)
Documentário sobre a trajetória de um dos principais nomes do jornalismo ambiental no Brasil, reunindo memórias, reflexões e seu legado diante das crises contemporâneas.
“A troca com os orientadores foi incrível, com sugestões muito precisas e contribuições concretas para o projeto. Também foi muito rico conhecer outros realizadores e trocar experiências nessa jornada entre países de língua portuguesa”, afirma João Henrique da Costa Novaes, realizador e produtor.
Roda Saia (Rio de Janeiro)
Curta documental sobre o protagonismo feminino nas rodas de carimbó, destacando como a tradição se reinventa e fortalece identidades e redes de resistência.
“Anotei dicas e informações que vão fazer diferença na produção. Compartilhar o projeto e ouvir outros olhares trouxe mais segurança para as próximas etapas”, completa Renata Prado, realizadora do filme.
Praia Mansa (Fortaleza)
Ficção sobre um jovem acolhido por pescadores após um resgate no mar, abordando pertencimento, solidariedade e tensões com pressões externas.
“A consultoria tem sido essencial para aprofundar a dramaturgia e, ao mesmo tempo, pensar a viabilidade concreta do projeto, fortalecendo o filme desde a fase de desenvolvimento”, avalia Arthur Leite, realizador.
Diáspora Z (Salvador)
Documentário que acompanha estudantes africanos na Bahia, explorando identidade, pertencimento e as relações contemporâneas entre Brasil e África.
“A escuta de olhares externos ajuda a tensionar escolhas e a tornar mais claras as dimensões estética e política do projeto, qualificando as decisões de direção”, afirma Ana Karina Fernandes da Paz, realizadora e produtora.
Durante a semana, os participantes também realizaram atividades de desenvolvimento artístico, desenho de produção e apresentações coletivas.
Cooperação internacional
Esta é uma iniciativa da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa voltada ao fortalecimento do setor audiovisual entre os países membros, com foco no intercâmbio cultural, na articulação de políticas públicas e na circulação de conteúdos em língua portuguesa.
“O Programa CPLP Audiovisual é uma iniciativa estratégica para ampliar a amizade entre os países lusófonos, e tendo o audiovisual como caminho para o estreitamento desses laços”, afirma o coordenador-geral André Araujo.
Nesta edição, foram selecionados 25 projetos entre 591 inscrições. Os telefilmes recebem apoio de 65 mil euros, e os curtas-metragens, 18 mil euros.
Exibição em emissoras públicas
As obras serão exibidas em emissoras que integram a Rede CPLP Audiovisual, ampliando o alcance entre os países de língua portuguesa. Participam da rede TPA (Angola), EBC (Brasil), RTC (Cabo Verde), TGB (Guiné-Bissau), RTVGE (Guiné Equatorial), TVM (Moçambique), RTP (Portugal), TVS (São Tomé e Príncipe) e RTTL (Timor-Leste).
Próximas etapas
Após a oficina, os projetos seguem para a fase de execução, com duração de até 30 semanas e novas atividades formativas, como oficinas de fotografia e montagem.
A conclusão está prevista para 30 de novembro, com estreia a partir de março de 2027 nas emissoras públicas da rede, ampliando a circulação internacional das produções em língua portuguesa.
Fonte: Ministério da Cultura


























